DIA DA IMUNIZAÇÃO - 09 DE JUNHO - VACINAS - CAMPANHAS

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Imunização é uma das estratégias de prevenção mais significativas, sendo um um conjunto de métodos terapêuticos destinados a suprir o organismo, de resistência ou imunidade contra determinadas enfermidades infecciosas. A amamentação também é importante, pois protege a criança, promovendo saúde, evitando doenças e permitindo o acompanhamento, desenvolvimento e controle, como o tratamento precoce da diarréia infantil.

As crianças são as que mais sofrem com a caótica situação sócio-econômica de países subdesenvolvidos como o nosso, Brasil. Esta fato reflete-se nos altos índices de mortalidade (em algumas regiões do país) e a formação de contingentes de indivíduos com sequelas físicas, intelectuais psicológicas, decorrentes de doenças preveníveis por esquemas básicos de imunização.

Entretanto a imunização não está isenta de riscos (SCHMITZ et al, 1989)

Infecção no local da inoculação;

Transmissão de doenças por meio do produto injetado e contaminação do material empregado na administração;

Complicação devido a outros composto dos produtos imunizantes (hidróxido de alumínio,...);
encefalite pós-vacinal, quando da utilização de antígenos vivos;

Agravamentos de enfermidades crônicas cardíacas, renais, do sistema nervoso central, entre outras;

Reações locais gerais: nódulos, edemas, dor ou mal-estar, lipotimia, entre outras;
reações de hipersensibilidade;

Complicações específicas secundárias à natureza e tipos de antígenos ou substâncias fontes de anticorpos.

TIPOS DE IMUNIZAÇÃO

Campanha do "Zé Gotinha"

A imunização pode ser natural ou adquirida (SCHMITZ et al, 1989):

A imunidade natural compreende mecanismos inespecíficos de defesa de pele, pH, e a imunidade conferida pela mãe através da via transplacentária e pelo leite materno ao recém nascido.

A imunidade adquirida pode ser espontânea, após um processo infeccioso, ou induzida de maneira ativa ou passiva:

passiva: administração de anticorpos previamente formados (imunoglobulinas) ou soros hiperimunes. Útil em pacientes com defeito na formação de anticorpos ou imunodeprimidos;
ativa: uso de microorganismos vivos atenuados, mortos e componentes inativados de microorganismos.

Algumas contra-indicações

São consideradas contra-indicações gerais ao uso de vacinas de bactérias ou vírus vivos (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE SÃO PAULO, 1994):

Portadores de doenças com deficiências imunitárias, como imunodeficiência combinada à gamaglobulina ou hipogamaglobulina;

Pacientes com imunodeficiências por defeitos congênitos ou enfermidades ativas do sistema linfóide ou reticuloendotelial (leucemia, linfoma, doença de Hodgkin...);

Imunodepressão devido a terapia com corticóide sistêmico em altas doses, com antimetabólitos, agentes alquilantes ou irradiação;

Grávidas, salvo situações de alto risco de exposição a algumas doenças virais imunopreveníveis, como febre amarela, por exemplo.

Com relação a pacientes HIV positivos assintomáticos, poderão receber todas as vacinas do esquema básico; os doentes com AIDS só não poderam receber a BCG.

Há casos em que a vacinação precisa ser somente adiada:

Tratamento com imunossupressores (corticosteróides, quimioterapia antineoplásica, radioterapia,...), deve-se adiar para 90 dias após a suspensão do uso da substância;

Durante a evolução de doenças agudas febris graves;

Não recomenda-se aplicar a BCG em crianças com menos de dois quilos de peso.

CALENDÁRIO DAS VACINAS


(adotado pelo Programa Nacional de Imunizações, modificado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo-SP, 1998)
Idade
Vacinas
1 mês *
BCG e hepatite B
2 meses
DPT, poliomielite e hepatite B
4 meses
DPT e poliomielite
6 meses
DPT e poliomielite
9 meses
Sarampo e hepatite B
15 meses
DPT, poliomielite e MMR
5 ou 6 anos
DPT e poliomielite
15 anos**
DT

=>Pode ser aplicada desde o nascimento.
=Reforço a cada 10 anos, por toda vida.

IMUNIZAÇÃO BÁSICA NA INFÂNCIA - CONSIDERAÇÕES

Tipos de Vacinas
Dose, via e local de aplicação
Sinais e sintomas pós-vacinais
Sabin (contra poliomielite) 2 a 3 gotas, de acordo com a origem/via oral (VO) Náuseas logo após a vacinação devido ao sabor desagradável
BCG (contra tuberculose) 0,1ml, intradérmico (ID)/ inserção inferior do deltóide direito Enduração/mácula/nódulo/úlcera/crosta/cicatriz (em torno de 3 meses pós-vacinal) Raro: enfartamento de gânglios linfáticos
Tríplice - DPT (contra tétano, difteria e coqueluche) 0,5ml intramuscular (IM) profunda /face antero-lateral da coxa em crianças que não andam e dorso-glútea nas demais Febre até 48 hs após vacinação Dor e nódulo local Raro: reações neurológicas(cefaléia, convulsão, choque)
Hepatite B 0,5ml intramuscular (IM) profunda /face antero-lateral da coxa num ângulo de 45º Sensibilidade no local da aplicação, acompanhada ou não de sinais inflamatórios; febre igual ou superior a 37,7ºC, em alguns casos erupções cutâneas, prurido e manifestações neurológicas
Dupla infantil-DT* e Dupla Adulto - dT**(contra tétano e difteria) 0,5ml/IM profunda/região dorso-glútea ou deltóidea Febre até 48 hs após vacinação Dor e nódulo local
MMR (contra caxumba, rubéola e sarampo) 0,5ml subcutâneo (SC) em região glútea Febre/dor/enduração e eritema local/linfadenopatia discreta/dor de garganta/"rush", artrite e artralgias Aumento das parótidas
VAS (contra sarampo) Idem MMR Febre e exantema de curta duração

*Indicada para crianças até 6 anos e 11 meses de idade que tenham contra-indicação médica formal de receber o componente pertussis da vacina DPT.

**Indicada a partir de 7 anos para pessoas que não tenham recebido a DPT ou DT, ou cujo estado imunitário seja desconhecido.(SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE, 1994)

APÓS FERIMENTO, QUANDO REALIZAR PROFILAXIA DO TÉTANO

HISTÓRIA DE IMUNIZAÇÃO CONTRA O TÉTANO
FERIMENTO LIMPO E SUPERFICIAL
OUTROS FERIMENTOS

VACINA
IMUNIZAÇÃO PASSIVA
VACINA
IMUNIZAÇÃO PASSIVA
Incerta ou menos de três doses
Sim
Não
Sim
Sim
Três doses ou mais*:




última dose há menos de cinco anos
Não
Não
Não
Não
última dose entre cinco e dez anos
Não
Não
Sim
Não
última dose há mais de dez anos
Sim
Não
Sim
Não

=>Aproveitar a oportunidade para indicar a complementação do esquema vacinal.

Vacina: DPT, DT ou dT dependendo da idade, na falta destes usar o toxóide tetânico (TT).

Imunização passiva: com soro anti-tetânico e teste prévio, na dose de 5000 unidades, pela via intramuscular ou imunoglobulina humana antitetânica, na dose de 250 unidades, (IM).


CONSERVAÇÃO DAS VACINAS

A Organização Pan-Americana de Saúde-OPAS e o Programa Nacional de Imunizações-PNI (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1991) estabelecem que o intervalo de temperatura para conservação de soros e vacinas precisa ser de +4 a +8ºC.

Faz-se necessário a presença de um termômetro dentro do refrigerador. Utilizar termômetro de 3 colunas, pois registra as temperaturas mínima, máxima e atual.

Vacinas de vírus vivos atenuados (pólio, sarampo, rubéola, caxumba) são mais sensíveis ao calor, devendo ser acondicionadas na unidade de saúde por 1 mês no máximo. É preferencial mantê-las na prateleira superior do refrigerador.

Vacinas de bactérias vivas e atenuadas (tuberculose) são menos sensíveis às oscilações de temperatura, podendo ser conservadas por até um ano na parte superior do refrigerador.

Vacinas inativadas virais e bacterianas (toxóides tetânico e diftérico; coqueluche) são as mais estáveis. Devem ser armazenadas por 6 meses na prateleira inferior do refrigerador.

Os diluentes precisam estar na mesma temperatura que as vacinas; não utilizar o refrigerador para outras finalidades. O refrigerador precisa ficar num local fresco, ao abrigo da luz solar e fontes de calor, distante pelo menos 15 cm das paredes e sua porta precisa ficar bem vedada.

Recomenda-se colocar sacos e garrafas plásticas com água no congelador e parte inferiordo refrigerador a fim de manter a temperatura, caso haja interrupção no fornecimento de energia. NÃO UTILIZAR A PORTA DO REFRIGERADOR POIS PODE DANIFICAR A VEDAÇÃO E OCORRER AQUECIMENTO INTERNO.

A circulação de ar também precisa ser respeitada, por isso é necessário que as vacinas sejam dispostas em bandejas ou caixas furadas e descobertas, deixando entre os frascos uma distância de 1 a 2 cm.

Para transportar as vacinas, utilizar caixas isotérmicas (de isopor). Cercar as vacinas com sacos de gelo, sem que haja contato direto (isolar os frascos com papelão ou espuma). Preparar a caixa 15 a 20 minutos antes de sair (manter um termômetro em seu interior), fechá-la com fita adesiva até chegar ao destino.

IMPORTANTE: o serviço de saúde precisa informar o nível regional ou central da rede de frio, sobre lotes de vacina que tenham sofrido variações de temperatura inferior ou superior à temperatura estabelecida pela OPAS ou PNI, para que estes dêem as diretrizes que devem ser seguidas.

Fontes:
Min da Saúde - Manual do Treinando - Brasília, 1991.
SEC Municipal de Saúde - Manual da Criança - Campinas, 1996.
SEC de Estado da Saúde de São Paulo - Norma do Programa de Imunização - SP, 1994.

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