03/10/11

BELO HORIZONTE - ANIVERSÁRIO 12 DE DEZEMBRO - HISTÓRIA DE BH - DADOS - CULTURA - TURISMO

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Turismo de Belo Horizonte

Nas redondezas de Belo Horizonte encontram-se parques de grande riqueza natural como o Parque das Mangabeiras, localizado a 6 km de distância da cidade, na Serra do Curral. Além de riachos e fontes naturais, o parque tem também um anfiteatro aberto e facilidades para esportes. Próximo à Serra do Curral, ainda no âmbito da região metropolitana de Belo Horizonte, encontra-se a reserva natural de Mata do Jambreiro, área de 912 hectares, com vegetação típica da Mata Atlântica, onde vivem mais de 123 espécies de pássaros e dez espécies diferentes de mamíferos.

Principais Pontos Turísticos

Casa do Baile

A Casa do Baile foi inaugurada em 1943. Ali funcionava um dancing popular. Com a desativação do Cassino, a Casa do Baile acabou fechando as portas em 1948. A construção circular, que fica numa ilha artificial, possui uma pitoresca ponte de onze metros e chama a atenção pelas formas sinuosas das fachadas, que sugerem quase uma continuidade da Lagoa.

Centro de Cultura

A construção distingue-se na cidade como um do poucos exemplares da arquitetura neogótica, de inspiração portuguesa. Construído em 1914, para abrigar o Conselho Deliberativo da Capital, primeiro órgão legislativo municipal, e a Biblioteca Pública Municipal, o edifício tem rica decoração externa e interna. O prédio tombado passou por uma reforma para sediar o Centro de Cultura Belo Horizonte, inaugurado em 1997, com o objetivo de ser um espaço voltado à cultura.

Feira de Artesanato

Idealizada por um grupo de artistas mineiros e críticos de arte, esta feira surgiu na Praça da Liberdade em 1969. Logo se tornou ponto de encontro de várias gerações e despertou a atenção dos visitantes e turistas para a riqueza e diversidade dos trabalhos expostos. A feira extrapolou os limites da praça e foi transferida para a avenida Afonso Pena em 1991. Hoje são cerca de três mil expositores divididos em 17 setores.

Feira de Tom Jobim

Exposição e venda de peças antigas e pequenos objetos, com o atrativo das comidas e bebidas típicas de várias regiões Neste festival gastronômico ao ar livre, pode-se optar, entre outros, pela comida internacional ou pelos pratos típicos da cozinha mineira e brasileira. Aos sábados, é um local agradável e descontraído para encontro da população. Conta com 85 expositores.

Flores

A Feira de Flores e Plantas Naturais constitui um atrativo à parte em Belo Horizonte. Nela são encontrados os mais diversos tipos de plantas, inclusive bonsais. A feira vem crescendo, já conta com cerca de 50 expositores e se tornou programa obrigatório. Funciona à sombra de enormes ficus, o que lhe confere um ar bucólico.

Igreja Boa Viagem

A história da Catedral da Boa Viagem se confunde com a própria história de Belo Horizonte. Desde os princípios do século XVIII, existia, onde hoje se encontra a Catedral, uma pequena capela de pau-a-pique, típico exemplar da arquitetura colonial mineira. A capela antiga foi substituída pela nova catedral, cuja construção terminou em 1932. Em estilo neogótico, a Catedral da Boa Viagem abriga vitrais de grande beleza e seu altar-mor é todo trabalhado em mármore de Carrara. Nossa Senhora da Boa Viagem é padroeira de Belo Horizonte.

Igreja de São Francisco

A Igreja de São Francisco de Assis foi inaugurada em 1943. Com linhas arrojadas, apresenta mosaicos nas laterais da nave. Seu interior abriga a Via Sacra, constituída por 14 painéis de Portinari, considerada a sua obra mais significativa.

Igreja São José

Primeira igreja projetada para a nova capital, foi inaugurada em 1906 e logo se tornou ponto de encontro religioso da sociedade. Foi entregue aos padres redentoristas com projeto arquitetônico dos irmãos Gregório e Werenfrid e pinturas do imigrante alemão Schumacker.

Mercado Central

Inaugurado em 1929, ocupa uma área privilegiada na região central da cidade. São mais de 400 lojas, que vendem de tudo, desde hortifrutigranjeiros de ótima qualidade, produtos típicos como os queijos e doces mineiros, passando pelo artesanato, ervas e raízes medicinais, até a venda de loterias. Nos bares mais populares, muita gente se reúne para apreciar os famosos tira-gostos regados a cerveja gelada. Misturando tradição e memória com aspectos da vida moderna, o Mercado Central é mais do que uma grande feira ou um centro de abastecimento: é um espaço descontraído de convívio social.

Cidade de Belo Horizonte - Minas Gerais

Minascentro

O Minascentro (Centro Mineiro de Promoções Israel Pinheiro) é o maior centro de convenções de Belo Horizonte. Possui uma área total de 30164 m², dividida em três pisos, com capacidade para 10 mil pessoas. O prédio foi construído em 1926, para ser sede da Escola de Aperfeiçoamento. Em 1948, passou a abrigar a Secretaria de Estado da Saúde. Em estilo neoclássico, sua arquitetura foi preservada, apesar das reformas para transformá-lo em centro de convenções.

ESTÁDIO MINEIRÃO - HISTÓRIA

Da Lei de autoria do Deputado Jorge Carone Filho, assinada pelo Governador José Francisco Bias Fortes sob o número 1947, em 12/08/59, surgiu este grande monumento ao futebol. Na época a população de Belo Horizonte era de pouco mais de 600 mil habitantes e a capacidade do estádio de 130 mil pessoas.

O Estádio Governador Magalhães Pinto, conhecido mundialmente pelo carinhoso nome de Mineirão, foi inaugurado no dia 05 de setembro de 1.965. Muita gente, sem dúvida, sabe disso. Mas poucos podem narrar com precisão tudo o que se passou pela cabeça de tantos políticos, radialistas, jornalistas, cronistas esportivos, atletas e torcedores. Mas certo é que por volta dos remotos anos 50, todas as pessoas que estavam à época envolvidas no futebol ansiavam por um estádio de bom tamanho para abrigar o crescente público.

O sonho, pode-se dizer assim, surgiu nos anos 40. A capital mineira iria sediar jogos da copa de 50 e precisava ter um espaço adequado. Por isso, foi então construído o Estádio Independência, no Horto.

O projeto de construção do Mineirão surgiu na época do Governo Bias Fortes e, em 25 de fevereiro de 1.960, o governo da União e a UFMG liberaram ao Estádio de Minas Gerais, sob a forma de comodato não-aprazado, a área localizada no conjunto onde se construía a cidade universitária, na Pampulha, em Belo Horizonte. A área liberada destinava-se unicamente à construção do Estádio de futebol e os recursos para a execução dos trabalhos seriam fornecidos pelo governador do Estado, o sonho de se construir um grande estádio, confortável e seguro começava aí a sair do papel.

A ADEMG surgiu junto com o Mineirão e é uma autarquia criada pela Lei 3.410 de 08 de julho de 1.965. Em 19 de dezembro de 1.993 a ADEMG foi vinculada à Secretária do Estado de Esporte e Lazer para poder melhor desempenhar seu papel de administradora dos estádios de Minas Gerais.

Para custear as obras e apressar a conclusão, o então governador Magalhães Pinto, determinou a venda antecipada de 3 mil cadeiras do estádio, que também dava o direito a um lugar no estacionamento no pátio interior.

De 1.963 à 05 de setembro de 1.965, data de sua inauguração, cerca de cinco mil homens, entre engenheiros e operários estiveram envolvidos na obra de construção A inauguração do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, foi marcada por uma grande festa. Na manhã de abertura do estádio, 73.201 pessoas estavam presentes, e a festa teve um pouco de tudo, como salto de pára-quedista, banda de música, e muito futebol.

ESTÁDIO GOVERNADOR MAGALHÃES PINTO
PROPRIETÁRIO: Governo do Estado de Minas Gerais
LOCALIZAÇÃO: Avenida Abrahão Caram, 1001 – Pampulha

Estádio Mineirão - Belo Horizonte - MG

Distâncias

Até o centro da cidade: 10 Km
Até o aeroporto de Confins: 35 Km
Até o aeroporto da Pampulha: 01 Km
Até a rodoviária: 09 Km
Até a ferroviária: 10 Km

Museu Abílio Barreto

Instalado em antigo casarão colonial de 1883, único remanescente do arraial do Curral Del-Rey, o museu guarda um valioso acervo referente à histórica Belo Horizonte, composto por pinacoteca, mobiliário, esculturas, arte sacra, peças decorativas, documentos, material fotográfico e iconográfico. A maquete do antigo Curral Del-Rey fica neste museu.

Museu da Pampulha

O prédio que abriga o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi o primeiro projeto de Oscar Niemeyer. Antigo cassino da cidade, foi fechado em 1946 com a proibição do jogo no país. Em 1957, o chamado Palácio de Cristal passou a funcionar como Museu de Arte. Sua concepção foi influenciada pelos princípios de Le Corbusier. Os jardins de Burle Marx são uma homenagem ao verde tropical. Três esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa adornam os jardins. Em 1996, foi readequado e ganhou novas salas de multimídia, biblioteca, café/bar, loja de souvenires e toda uma infra-estrutura técnica para abrigar as obras. O MAP possui um expressivo acervo de 1600 obras.

Museu do Telefone

Foi inaugurado em 1978, como parte das comemorações dos 25 anos da Telemig, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a memória da telefonia em todo o mundo, desde a sua invenção até as mais modernas tecnologias do setor de telecomunicações. Visitas programadas com antecedência para alunos de escolas e grupos de adultos.

Museu Mineiro

O prédio do Museu Mineiro, de estilo eclético com predominância de elementos neoclássicos, é considerado parte integrante de seu acervo, pelo valor histórico e artístico que representa. Construído no final do século passado, serviu como sede do extinto Senado Mineiro - o Senadinho. Em 1977, foi autorizada a implantação do museu. Reúne um acervo composto de diversas coleções, que retratam a história da produção cultural mineira. Destaca-se a coleção de Arte Sacra Colonial.

Palácio da Liberdade

O Palácio da Liberdade foi inaugurado em 1898. A construção reflete a influência do estilo francês na arquitetura da capital, com requintes de acabamento. A escadaria de ferro e estruturas metálicas foram importadas da Bélgica. Destacam-se os jardins em estilo rosal, de Paul Villon; o salão de banquete à Luís XV; as pinturas do Salão Nobre, uma homenagem às artes, e o grande painel de Antônio Parreira.

Palácio das Artes

Construído dentro da área do Parque Municipal, o prédio teve projeto inicial de Niemeyer. A planta definitiva ficou a cargo do engenheiro Hélio Ferreira Pinto e a inauguração foi em 1971. A construção imponente e moderna abriga a Grande Galeria, com um espaço nobre para as artes visuais, e mais três galerias para exposições artísticas, lançamentos literários e eventos do gênero, o Foyer, as salas Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta, a sala de cinema Humberto Mauro e ainda duas salas de espetáculos: o Grande Teatro e o Teatro de Arena João Ceschiatti. Funciona no mesmo prédio o Centro de Artesanato Mineiro.

Parque das Mangabeiras

Localizado nas encostas da Serra do Curral, foi projetado pelo paisagista Burle Marx e inaugurado em 1982. O Parque das Mangabeiras é um dos maiores parques urbanos do país, com matas que ocupam a maior parte dos seus 2,3 milhões de m². Além de funcionar como centro de pesquisa e de educação ambiental, aberto a toda a comunidade, dispõe de variadas opções de lazer. Para visitar o parque, existem três opções: o Roteiro das Águas, o Roteiro da Mata e o Roteiro do Sol. Logo na entrada, uma sala multimídia orienta os visitantes sobre as atrações do local.

Parque Municipal

Primeira área de lazer e contemplação da cidade, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti foi inaugurado em 1897, na antiga Chácara do Sapo, onde residia o engenheiro Aarão Reis, responsável pelo planejamento da nova capital. Surgiu inspirado nos parques franceses da Belle Époque, com roseiras e coreto. Em meio a muito verde, estão mais de 50 espécies de árvores, onde ficam diversos equipamentos de lazer. Hoje o espaço funciona também como centro de educação ambiental. Outras atrações dentro do Parque Municipal são o orquidário da cidade, o teatro Francisco Nunes e o Palácio das Artes.

Praça 7 de Setembro

A Praça Sete de Setembro é o principal ponto de referência do centro da cidade.Os prédios e construções do hipercentro de Belo Horizonte apresentam estilos arquitetônicos diferentes. O corredor da avenida Afonso Pena é uma boa vitrine dessa progressão de estilos e de décadas. O Tribunal de Justiça, na Afonso Pena, 1420, em estilo neoclássico, data de 1911. Também em estilo neoclássico, a Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, na Afonso Pena, 1534, é ornamentada por colunas coríntias. O elegante e luxuoso Automóvel Clube, na Afonso Pena, 1394, foi construído na década de 20 para reunir a nata da sociedade mineira. Da década de 40, a sede da Prefeitura de Belo Horizonte, na Afonso Pena, 1212, tem características Art Decó com volumes geométricos no traçado da fachada. O Edifício Acaiaca, na Afonso Pena, 867, com 29 andares, foi um marco da verticalização de Belo Horizonte. Inaugurado em 1943, em estilo Art Decó e influência marajoara.

Praça da Bandeira

Reinaugurada em 12 de dezembro de 1997, como parte das comemorações dos 100 anos de Belo Horizonte, a Praça da Bandeira é um espaço aberto e contemplativo que abriga o Marco Cívico do Centenário. No terceiro domingo de cada mês, é realizada a cerimônia de troca da Bandeira Nacional, a partir das 10 horas.

Praça da Estação

Foi através do antigo ramal ferroviário que chegou todo o material necessário para a construção da nova capital das Minas Gerais. Em 1888, Belo Horizonte ganha o primeiro relógio público da cidade, no alto da torre da estação. A construção da praça teve início em 1904 e, dessa época, destacam-se até hoje nos jardins os dois leões em mármore, encomendados ao artista belga Folini. Com o rápido crescimento da cidade, foi necessária a construção de uma nova estação ferroviária, inaugurada em 1922, em estilo neoclássico. No largo encontra-se também o Monumento da Terra Mineira, estátua de bronze que homenageia os heróis da Inconfidência. O prédio ao lado, construção retangular, servia como dormitórios e escritórios da Rede Ferroviária Federal. No prédio da estação, fica a maquete de ferromodelismo, uma representação de mini-ferrovia.

Praça da Liberdade

A construção do conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi iniciada na época da fundação da nova capital (1895-1897). Feita para abrigar a sede do poder, as primeiras Secretarias de Estado obedecem a tendência da época - estilo eclético com elementos neoclássicos. Ao longo dos anos, o núcleo foi recebendo construções de diferentes estilos arquitetônicos. Na década de 40, o estilo Art Decó com revestimento pó-de-pedra do Palácio Cristo Rei; nas décadas de 50 e 60, prédios modernos foram implantados, como o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública; já nos anos 80, em estilo pós-moderno, foi inaugurado o Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves. A praça é ponto de encontro da cidade e ainda conta com coreto e fonte luminosa.

Praça da Savassi

A Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi, fica no bairro Funcionários, numa região que também passou a ser genericamente chamada Savassi. O nome está ligado a uma padaria famosa, da família Savassi, que existia no local. Na década de 40, era ponto de encontro de políticos e da alta sociedade. Com o passar do tempo, a Savassi se firmou como centro comercial sofisticado, transformando-se, mais tarde, em point da juventude e de grande concentração de bares e restaurantes.

Praça do Papa

Que belo horizonte . Esta foi a expressão utilizada pelo Papa João Paulo II diante da paisagem urbana que avistou, ... do alto do bairro das Mangabeiras, quando esteve na cidade em 1980. Desde então, a praça Israel Pinheiro, onde ele celebrou missa campal, passou a ser denominada Praça do Papa. No centro da praça foi erguido um monumento em ferro, em homenagem à sua visita. Atualmente é local das principais manifestações religiosas e de shows musicais que acontecem na cidade. A praça é cercada pela Serra do Curral, tombada e eleita pela população como símbolo oficial de Belo Horizonte. Compõem ainda este roteiro a Rua do Amendoim e o Parque das Mangabeiras.

Rua do Amendoim

Na verdade, chama-se rua Professor Otávio Magalhães. Esta pequena rua, no bairro das Mangabeiras, e pouco abaixo da Praça do Papa, faz parte do folclore turístico da cidade. Ninguém sabe ao certo como, quando e quem descobriu o curioso fenômeno ótico que acontece neste trecho de asfalto. Quando os carros são desligados, eles sobem, ao invés de descerem, a suave ladeira.

Serraria Souza e Pinto

A Serraria Souza Pinto foi erguida em 1912. É uma das primeiras construções da capital a utilizar estruturas de ferro e se constitui num dos belos exemplares da arquitetura industrial do início do século. Tombada em 1981 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais e restaurada em 1997, destina-se à realização de shows, feiras, cursos, congressos e exposições.

UFMG

Inaugurada em 1989, a Universidade Federal de Minas Gerais surgiu com o propósito de ser um instrumento de integração entre a universidade e a sociedade. Oferece espaço para a difusão das mais diferentes manifestações culturais. Funciona no antigo prédio da Escola de Engenharia.

História de Belo Horizonte

Em 1701 o bandeirante João Leite da Silva Ortiz chegou à serra de Congonhas à procura de ouro. Porém, encontrou mais do que isso: uma bela paisagem, de clima ameno e próprio para a agricultura. Resolveu ficar, construiu a Fazenda do Cercado, onde desenvolveu uma pequena plantação e criou gado.

O progresso da fazenda logo atraiu outros moradores e um arraial começou a se formar em seu redor. Viajantes que por ali passavam, conduzindo o gado da Bahia em direção às minas, fizeram da região um ponto de parada.

O povoado foi batizado de Curral del Rei. Da serra de Congonhas mudou-se o antigo nome: é hoje a nossa Serra do Curral. Nossa Senhora da Boa Viagem, a quem os forasteiros pediam proteção, tornou-se padroeira do local.

Aos poucos, o Curral del Rei foi crescendo, apoiado na pequena lavoura, na criação e comercialização de gado e na fabricação de farinha. Algumas poucas fábricas, ainda primitivas, instalaram-se pela região: produzia-se algodão, fundia-se ferro e bronze. Das pedreiras, extraía-se granito e calcário. Frutas e madeiras eram vendidas para outros locais.

Com a decadência da mineração, o arraial se expandiu. Das 30 ou 40 famílias existentes no início, saltou para a marca de 18 mil habitantes. Elevado à condição de Freguesia, mas ainda subordinado a Sabará, o Curral del Rei englobava as regiões de Sete Lagoas, Contagem, Santa Quitéria (Esmeraldas), Buritis, Capela Nova do Betim, Piedade do Paraopeba, Brumado Itatiaiuçu, Morro de Mateus Leme, Neves, Aranha e Rio Manso.

Vieram as primeiras escolas, o comércio se desenvolveu. No centro do arraial, os devotos ergueram a Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Esse ciclo de prosperidade, contudo, durou pouco. As diversas regiões que constituíram o arraial foram se tornando autônomas, separando-se dele. A população rapidamente diminuiu e a economia local entrou em decadência. Já no final do século passado, restavam mais de 4 mil habitantes. Sua rotina era simples e monótona.

Começava cedo, no trabalho de casa ou na lavoura, e terminava às dezenove horas, quando muitos já começavam a se recolher. Durante o dia, a Farmácia Abreu era o ponto de encontro preferido para o bate-papo. à noite, as mulheres faziam novenas, enquanto os homens improvisavam um botequim no Armazém Esperança.

De vez em quando, uma serenata fazia as janelas se abrirem. Apenas nos fins-de-semana o arraial ganhava vida, quando os moradores das redondezas vinham ouvir a missa ou visitar parentes e fazer compras. Em datas especiais, o arraial tornava-se mais alegre: nas Festas Juninas, no Natal ou no Dia da Padroeira os festejos eram certos.

A Proclamação da República, em 1889, vem trazer aos curralenses a esperança de transformações. Para entrar na era que então se anunciava, deixando para trás o passado monárquico, aos sócios do Clube Republicano do arraial propuseram a mudança de seu nome para Belo Horizonte. Foi nesse clima de euforia que os horizontinos receberam a notícia da nova construção da nova capital.

Durante três dias o arraial se pôs em festa, com missa solene, discursos, bandas de música e bailes. Seus habitantes já sonhavam com modernização e o progresso que a capital traria para a região. Nem imaginavam que, nos planos dos construtores, não havia espaço reservado para eles.

Mudança da Capital - A luta pela mudança

A discussão sobre a mudança da capital mineira não surgiu no século passado; era, ao contrário, uma idéia muito antiga. A primeira tentativa de transferir a sede do Governo para uma cidade diferente de Ouro Preto data de 1879, quando os inconfidentes planejaram instalar a capital de sua república em São João Del Rei. Depois disso, mais quatro tentativas foram feitas, todas fracassadas.

A questão só veio a ser considerada após a Proclamação da República. Só que dessa vez, não se trava de uma simples transferência, mas a construção de uma nova cidade.

Uma série de fatores favorecia a idéia de mudança. Em primeiro lugar, para se destacar o novo cenário republicano, Minas Gerais precisava mostrar-se politicamente unida e forte. A construção de uma nova capital, localizada no centro geográfico do Estado, poderia facilitar o equilíbrio das diversas facções políticas que então disputavam o poder.

Os republicanos também desejavam promover o progresso de Minas Gerias, tornando-o um Estado industrializado e moderno. A cidade de Ouro Preto não oferecia condições adequadas para o crescimento econômico esperado. Os transportes e as comunicações eram dificultados pelo relevo acidentado da cidade e as estruturas de saneamento e higiene não comportavam mais um aumento da população.

A construção de uma nova capital, planejada de acordo com essas exigências era a solução para o problema do crescimento.

Um outro fator contribuiu para fortalecer a idéia de mudança. Ouro Preto, cidade histórica, guardava em sua arquitetura uma série de símbolos e marcas do passado colonial que os republicanos queriam enterrar. com suas ruelas e becos, suas igrejas barrocas e suas casas, porões e senzalas, a velha capital lembrava os anos da dominação portuguesa, das conspirações e da escravidão.

Uma nova cidade, planejada segundo os valores modernos, seria o símbolo de uma nova era.

Em 1891, o presidente do Estado, Augusto de Lima, formulou um decreto determinando a transferência da capital para um lugar que oferecesse condições precisas de higiene. Adicionada à Constituição Estadual, a lei provocou muitos protestos da população ouropretana. Os mineiros dividiram-se entre os "mudancistas", favoráveis à nova capital, e os "não-mudancistas". Cada um desses grupos fundou seu jornal, promovendo reuniões e debates.

O Governo Estadual, enfrentando essas disputas, criou um Comissão de Estudos para indicar, dentre cinco localidades, a mais adequada para a construção da nova cidade. O Congresso mineiro, a quem cabia a decisão final, votou a favor de Belo Horizonte. Assim, a 17 de dezembro de 1893, a lei n.º 3 foi adicionada à Constituição Estadual, determinando que a nova sede do Governo fosse erguida em Belo Horizonte, chamando-se Cidade de Minas.

No prazo máximo de quatro anos, a capital deveria ser inaugurada. A lei criava ainda a Comissão Construtora, composta de técnicos responsáveis pelo planejamento e execução das obras. Em sua formação, estavam alguns dos melhores engenheiros e arquitetos do país, chefiados por Aarão Reis.

O Planejamento O traçado da cidade e a exclusão social

Uma cidade ordenada, funcionando como um organismo saudável esse era o objetivo dos engenheiros e técnicos que idealizaram Belo Horizonte. Para alcançá-lo, era necessário projetar um cidade física e socialmente higiênica uma cidade saneada, livre de doenças, mas também livre de desordens e revoluções.

Praça Raul Soares - Belo Horizonte - MG

O projeto criado pela Comissão Construtora, finalizado em maio de 1895, inspirava-se no modelo das mais modernas cidades do mundo, como Paris e Washington. Os planos revelavam algumas preocupações básicas, como as condições de higiene e circulação humana. Dividiram a cidade em três principais zonas: a área central urbana, a área suburbana e a área rural.

No centro, o traçado geométrico e regular estabelecia um padrão de ruas retas, formando uma espécie de quadriculado, Mais largas, as avenidas seriam dispostas em sentido diagonal. Esta área receberia toda a estrutura urbana de transportes, educação, saneamento e assistência médica. Abrigaria, também, os edifícios públicos dos funcionários estaduais.

Ali também deveriam se instalar os estabelecimentos comerciais. Seu limite era a Avenida do Contorno, que naquela época se chamava de 17 de Dezembro.

A região suburbana, formada por ruas irregulares, deveria ser ocupada mais tarde e não recebeu de imediato a infra-estrutura urbana. A área rural seria composta por cinco colônias agrícolas com inúmeras chácaras e funcionaria como um cinturão verde, abastecendo a cidade com produtos hortigranjeiros.

A implantação de tão grandioso projeto tinha, porém, uma exigência: a completa destruição do arraial que ali se localizava e a transferência de seus antigos habitantes para outro local.

Rapidamente, os horizontinos tiveram suas casas desapropriadas e demolidas, sendo-lhes oferecidos novos imóveis a um preço muito alto. Sem condições de adquirir os valorizados terrenos da área central, eles foram empurrados para fora da cidade, indo se refugiar em Venda Nova ou em cafuas na periferia.

A capital traçada pela Comissão Construtora era um lugar elitista. Seus espaços estavam reservados somente aos funcionários do Governo e aos que tinham posses para adquirir lotes. Acreditava-se que os problemas sociais, como a pobreza, seriam evitados com a retirada dos operários, assim que a construção da cidade estivesse concluída.

Mas, na prática, não foi isso que aconteceu. Belo Horizonte foi inaugurada às pressas, estando ainda inacabada. Os operários, aglomerados em meio às obras, não foram retirados e, sem lugar para ficar, assim como os horizontinos, formaram favelas na periferia da cidade. A primeira, a do Leitão - ficava nas proximidades do atual Instituto de Educação, em plena Avenida Afonso Pena.

Essa massa de trabalhadores que não eram considerados cidadãos legítimos de Belo Horizonte revelava o grau de injustiça social existente nos seus primeiros anos de vida.

Os Primeiros Anos - A cidade do tédio

Belo Horizonte foi inaugurada a 12 de dezembro de 1897, por uma exigência da Constituição do Estado. Entretanto, parte de suas construções não havia sido concluída e algumas de suas ruas e avenidas eram apenas "picadas" abertas no meio do mato. A crise econômica que tomava conta do país e do Estado tinha feito com que muitas obras ficassem paralisadas, à espera de recursos.

O comércio e a indústria ligada à construção civil, que tinham se desenvolvido bastante nos anos anteriores, agora enfrentavam dificuldades. A cidade não se industrializou no ritmo que se esperava e permaneceu sem atividades econômicas expressiva durante anos. Os trabalhadores foram os mais prejudicados os que não perderam o emprego tiveram seus salários atrasados durante meses.

Tudo isso contribuía para tornar a Capital uma cidade entediante e sem graça. Sua aparência inacabada e empoeirada dava a impressão de abandono. As ruas e avenidas largas demais para uma população não muito numerosa pareciam estar sempre vazias. Para piorar a situação, as diversões eram poucas e não conseguiam espantar a decepção e a tristeza dos primeiros habitantes.

Na área central, a Rua da Bahia era território de elite. Nela, ficava o único teatro da cidade o Soucasseaux, uma espécie de um barracão coberto de zinco, onde se apresentavam companhias de teatro e música e onde se improvisava um botequim. Nessa rua também ficavam os principais bares e cafés, lugar onde os homens se encontravam para conversar, falar de política e da vida.

Ao anoitecer, a rua virava palco para o footing (moças e rapazes desfilavam, trocando olhares, numa espécie de namoro bem comportado).

Na tentativa de espantar o tédio, os jovens fundavam clubes como o Rose, o Violetas, o dos Jardineiros do Ideal, o Santa Rita Durão e o Elite. Além de festas e bailes, esses Grêmios tinham a intenção de promover a literatura. Outros clubes eram criados durante os carnavais e os mais famosos foram os Matakins, os Diabos de Luneta e os Diabos de Casaca, que promoviam festas, desfiles de carros alegóricos, batalhas de confetes, serpentinas e, é claro, lança-perfume.

O Parque Municipal (na época quatro vezes maior) era muito freqüentado nos fins-de-semana. Ali, a sociedade encontrava espaço para praticar esportes, passear ou fazer piqueniques, enquanto bandas tocavam "retretas". Também era lá que as paróquias comemoravam datas religiosas, com quermesses e barraquinhas.

A população pobre e os operários, contudo, não tinham acesso a essas formas de lazer. Preferiam os botequins nos bairros, os jogos de bola e a tômbola, uma espécie de bingo onde os prêmios não valem dinheiro. É que eles viviam em locais distantes do centro e sua condição financeira os impedia de participar das diversões pagas. Além disso, na área central eles eram alvo fácil da polícia, que, por causa de um simples passeio, podia prendê-los, alegando "vadiagem".

Progresso em marcha lenta

Nas duas primeiras décadas deste século, Belo Horizonte viveu, alternadamente, períodos de grande crise e surtos de desenvolvimento. As fases de maior crescimento corresponderam aos anos de 1905, 1912-13 e 1917-19.

Aos poucos, pequenas fábricas começaram a funcionar na cidade, ampliou-se o fornecimento de energia elétrica, retomaram-se as obras inacabadas, expandiram-se as linhas de bonde, criaram-se praças e jardins e a cidade ganhou arborização. O número de empregos cresceu e a Capital passou a atrair mais habitantes.

A vida social também começou a se agitar, com a substituição do teatrinho Soucasseaux pelo elegante Teatro Municipal (1909) e com a inauguração de diversos cinemas. Freqüentar as salas dos cine-teatros Colosso, Comércio, Familiar, Progresso, Bijou e Paris tornou-se não só uma obrigação para os belo-horizontinos, como também um pretexto para encontros e conversas.

Nessa época em que cinema fazia muito sucesso, nasceu o gosto do belo-horizontino pela moda, com famosas costureiras imitando os modelos vestidos pelas atrizes mais conhecidas.

Foi também com o crescimento da cidade que a massa de trabalhadores começou a lutar contra as injustiças sociais. A primeira grande greve ocorreu em 1912 e paralisou a cidade por 15 dias. Liderado por trabalhadores da construção civil, que defendiam uma jornada de trabalho de oito horas, o movimento teve apoio de grande parte da população.

Mobilizando-se através de greves, os operários conseguiram ser reconhecidos como cidadãos, com direito a reivindicar melhores condições de trabalho, educação, transporte, saúde e moradia.

Anos 20 e 30 - A poesia toma conta da cidade

Os anos vinte marcam uma época romântica da história da capital. Entre passeios de bonde e sessões de cinema, entre conversas nos cafés e o footing, a vida seguia alegre. Belo Horizonte era a "Cidade-Jardim" ou "Cidade Vergel", onde o verde das árvores saltava das ruas e invadia as casas, tomando quintais e pomares.

Nesse período, a capital viu nascer a geração de escritores modernistas que iria se destacar no cenário nacional. Carlos Drumond de Andrade, Cyro dos Anjos, Luís Vaz, Alberto Campos, Pedro Nava, Emílio Moura, Milton Campos, João Alphonsus, Abgar Renault e Belmiro Braga, reunidos no Bar do Ponto, no Trianon ou na Confeitaria Estrela, eram rapazes inquietos que mudaram o panorama da literatura brasileira.

No campo das artes e da cultura, a cidade experimentou um grande desenvolvimento. Enquanto o Teatro Municipal vivia seus anos de glória, novas salas de cinema eram inauguradas como os cines Pathê, Glória, Odeon e Avenida. Em 1926, o maestro Francisco Nunes fundou o Conservatório Mineiro de Música. No ano seguinte, era criada a Universidade de Minas Gerais. Em 1929, fundou-se Automóvel Clube, ponto de encontro da elite belo-horizontina.

Como um reflexo do fim da I Guerra Mundial, em 1918, a indústria de Belo Horizonte ganhou impulso na década de vinte. Os serviços urbanos foram ampliados para atender a uma população sempre crescente. Parecia, finalmente, que a modernidade tinha chegado à Capital. Inauguraram-se grandes obras, como o viaduto de Santa Tereza, a nova Matriz da Boa Viagem e o Mercado Municipal.

Os automóveis circulando pelas ruas tornaram-se comuns, exigindo a criação de um código de trânsito e da primeira auto-escola. Surgiram também os auto-ônibus, complementando p serviço dos bondes.

Como prova do desenvolvimento e do prestígio, Belo Horizonte recebeu a visita dos reis da Bélgica, em 1920. Na ocasião, toda a Praça da Liberdade foi reformulada, adquirindo o seu aspecto atual. Em 1922, para comemorar os cem anos da Independência Brasileira, a Praça 12 de Outubro passou a se chamar Praça Sete de Setembro e ganhou o famoso "Pirulito".

Essa onda de progresso continuou ao longo da década de 30. Na periferia, surgiram novos bairros. Cresceram nessa época Lourdes, Barreiro, Nova Suíça, Gameleira, Renascença, Sagrada Família e Parque Riachuelo. Muitas favelas também começaram a se formar. A expansão da cidade aconteceu sem um maior controle ou planejamento e isso trouxe sérios problemas urbanos.

Muitos dos novos bairros não possuíam os serviços básicos de água, luz e esgotos. Enquanto isso, o centro permanecia relativamente vazio. Na arquitetura, surgiram novidades: o primeiro edifício de dez andares e um novo estilo de fachadas, como a do Cine Brasil.

A Revolução de 3 de outubro de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder, também marcou a história da cidade. Tomada de surpresa, a população assistiu à troca de tiros entre revolucionários e as forças federais, no cerco ao Quartel do 12º RI. Nos anos seguintes, a ditadura do Estado Novo traria o fechamento do Poder Legislativo, o controle da imprensa e o clima tenso da repressão.

Como conseqüência da política de modernização da economia implantada por Vargas, as bases para o desenvolvimento industrial da cidade foram lançadas, criando-se a zona industrial de Belo Horizonte.

Dois acontecimentos importantes na década foram o 2º Congresso Eucarístico Nacional, em 1936, que reuniu milhares de católicos na Praça Raul Soares, e a Exposição de Arte Moderna, no mesmo ano.

O período viu, ainda, nascerem as duas primeiras rádios da cidade a Rádio Mineira (1931) e a Rádio Inconfidência (1936). Com seus programas de auditório, transmitidos ao vivo, elas viveriam seus anos dourados na década seguinte. A capital começava a amadurecer.

Anos 40 e 50 - Nasce uma moderna metrópole

Os anos quarenta trazem a modernidade e dão um ar de metrópole à Belo Horizonte. Nessa época, a capital ganhou várias indústrias, abandonando seu perfil de cidade administrativa. O impulso para isso foi dado pela criação de um Parque Industrial, em 1941. O setor de serviços também começou a crescer com o fortalecimento do comércio. O centro da cidade tornou-se, então, uma área valorizada, principalmente para a construção de edifícios, e passou a sofrer a especulação imobiliária.

O grande responsável pela transformação de Belo Horizonte foi o prefeito Juscelino Kubitschek. Com o objetivo de renovar a capital, promovendo um surto de desenvolvimento e modernização, JK realizou diversas obras que projetaram internacionalmente o nome da cidade.

A mais importante delas foi o Complexo Arquitetônico da Pampulha inaugurado em 1943. Desenhado pelo jovem arquiteto Oscar Niemeyer, o complexo era formado por quatro obras principais a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile, o Cassino e o Iate Golf Clube instaladas às margens da lagoa artificial. Com suas linhas originais e modernas, Oscar Niemeyer fez da Pampulha um dos maiores exemplos da arquitetura modernista brasileira.

Também foi uma iniciativa de Juscelino Kubitschek, a construção de um conjunto habitacional no bairro São Cristóvão, localizado na Avenida Antônio Carlos, que, na época se chamava Avenida Pampulha. O Conjunto IAPI (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários), como foi denominado, surgiu como uma alternativa para o problema da moradia na cidade e como uma tentativa da Prefeitura de ordenar a região da Lagoinha.

Em 1941, também com projeto de Oscar Niemeyer, o Palácio da Artes começou a ser construído.

Um pouco mais tarde, já no final da década, um outro marco na arquitetura da capital seria inaugurado: o Edifício Acaiaca, na Avenida Afonso Pena. Com sua fachada de linhas retas e sóbrias, onde se destacavam as faces de dois índios, o Acaiaca era o maior e mais moderno prédio de Belo Horizonte, com os elevadores mais velozes da cidade.

Nessa época, ainda aconteceu a construção do Teatro Francisco Nunes (1949), no Parque Municipal, e da primeira estação rodoviária da cidade.

Se a marca dos anos 40 foi a modernização da arquitetura da cidade, os anos 50 ficariam conhecidos como a década da indústria, em razão do surto de desenvolvimento alcançado pela capital. A criação da Cemig, em 1952, e o desenvolvimento da Cidade Industrial, nas proximidades de Belo Horizonte (Contagem) são dois fatores que explicam esse crescimento.

Nessa década, caracterizada pelo grande êxodo rural, a população da cidade dobra de tamanho, passando de 350 mil para 700 mil habitantes. Surgem novos bairros, como o Sion e o São Pedro.

Uma nova avenida é aberta, sendo chamada de Cristiano Machado. Os problemas urbanos e a falta de moradia tornam-se mais graves. Preocupado com o crescimento desordenado da cidade, o prefeito Américo René Gianetti dá início à elaboração de um Plano Diretor para Belo Horizonte.

A cidade torna-se vertical com uma série de prédios cada vez mais altos sendo construídos. É dessa época o Edifício Clemente Faria, feito para ser a sede do Banco Lavoura (atual Banco Real), na Praça Sete. Projetados por Oscar Niemeyer, o Edifício JK, o Edifício do Bemge, o prédio do Colégio Estadual Milton Campos (atual Estadual Central), o Edifício Niemeyer e a sede da Biblioteca Pública Estadual são belos exemplares da arquitetura moderna caracterizados pela simplificação de formas e pelo uso de esquadrias metálicas, concreto, vidros e revestimentos de mármores e pastilhas.

Foi nos anos 50 que a cidade passou a ser influenciada pelo estilo de vida americano. Aquela era a época das grandes orquestras, que faziam sucesso não apenas no rádio, como também na recém-inaugurada TV Itacolomi. Nas boates e nos clubes cada vez mais numerosos tinham lugar as "horas dançantes" e os bailes de gala. Já para a população mais pobre, a diversão acontecia mesmo na rua, proporcionada pelas apresentações do cine grátis.

Anos 60 e 70 - O progresso avança pela cidade

O crescimento econômico transformou o perfil de Belo Horizonte na década de 60. Sem respeito pela memória da cidade, o progresso avançou sobre suas ruas, demolindo casas, erguendo arranha-céus, derrubando árvores, cobrindo tudo de asfalto. Já não era possível reconhecer a "Cidade-Jardim" que tanto encantara os poetas; a cidade verde tinha ficado no passado.

Era preciso desafogar o trânsito e as avenidas rasgavam cada vez mais o tecido da cidade. Até o "Pirulito" foi retirado da Praça Sete, como parte das transformações radicais, e foi deixado no Museu Abílio Barreto.

A descaracterização da cidade fez-se sem remorsos. Se os espaços verdes desapareciam, se a beleza das antigas construções era transformada em pó, em seu lugar surgiam edifícios modernos, novas e novas indústrias.

Os anos 60 foram marcados pelo crescimento das indústrias e das instituições financeiras. Nessa época, Belo Horizonte começou a irradiar seu crescimento e suas cidades vizinhas também receberam muitos investimentos e fábricas. Esse progresso, contudo, não se fez sem o agravamento das desigualdades e problemas sociais. O surgimento de inúmeras favelas comprova o desequilíbrio causado pela concentração de renda.

Mas, não foi somente o desenvolvimento econômico que modificou a rotina de Belo Horizonte. A instauração da ditadura militar, após o Golpe de 64, também levou a população às ruas. Primeiro foram as mulheres católicas que com seus terços em punho, apoiaram o "movimento que nos livrara do perigo comunista". A manifestação foi denominada a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade".

Mais tarde, vieram os estudantes dessa vez, protestando contra a falta de liberdade, o desrespeito aos direitos humanos e constitucionais. Inúmeras vezes, a Praça Sete assistiu à multidão ser dispersada com bombas e a prisão de manifestantes. Em 1978, seria a vez da campanha pela anistia dos presos políticos mobilizar os belo-horizontinos.

Na década de 70, a cidade era o próprio retrato do caos. Com um milhão de habitantes, belo Horizonte continuava crescendo desordenadamente. Nas regiões norte e oeste e nos municípios vizinhos, com a criação de distritos industriais e a instalação de empresas multinacionais, a população tornou-se cada vez mais densa.

Na tentativa de resolver os problemas causados pela falta de planejamento, foram tomadas várias medidas: criou-se o Plambel e instituiu a Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A política de crescimento econômico acelerado, porém não resolvia os problemas sociais. A crise prolongada e os baixos salários levaram a população mais uma vez às ruas, já no final da década. Professores da rede pública e operários da construção civil, paralisando a cidade na greve de 1979, mostraram seu descontentamento com relação aos problemas econômicos e sociais, mas também em relação ao regime militar.

Anos 80 e 90 - Os cidadãos redescobrem Belo Horizonte

A chegada dos anos 80 marcou o início de uma mudança nas relações do belo-horizontino com sua cidade. O crescimento desordenado e os problemas de perda de importantes marcos da história de Belo Horizonte, a degradação ambiental e as desigualdades sociais, foram pouco a pouco, tornando-se algumas das maiores preocupações dos cidadãos.

A consciência de que é preciso cuidar da cidade, ao mesmo tempo permitindo seu desenvolvimento e garantindo a qualidade de vida de seus habitantes, difundiu-se cada vez mais entre a população.

Foi ao longo da década de 80 que o belo-horizontino redescobriu o espaço das ruas, fazendo dele o palco de suas manifestações, de seus protestos e de suas artes. Em 1980, milhares pessoas tomaram a Avenida Afonso Pena e a então Praça Israel Pinheiro (hoje, Praça do Papa) para receber o próprio Papa João Paulo II. Em 83, diversas entidades e cidadãos saíram às ruas para protestar contra a demolição do prédio do Cine Metrópole, defendendo seu tombamento pelo Patrimônio Histórico.

Em 1984, a multidão lotou a Praça da Rodoviária para dar força à campanha "Diretas Já", participando do comício que reuniu nomes como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Brizola e Lula. Um ano depois, os mesmos manifestantes chorariam a morte do recém-eleito presidente Tancredo Neves, acompanhando seu velório no Palácio da Liberdade.

Mais recentemente, em 92, seria a vez dos jovens "cara-pintadas" protestarem contra a corrupção e exigirem o impedimento do presidente Fernando Collor.

Uma mentalidade diferente daquela que orientou o crescimento nas décadas anteriores começava a surgir. As obras realizadas na cidade ganharam nova direção. Em 1981, adotou-se um novo sistema de transporte, na tentativa de melhorara situação do trânsito na cidade. Foi iniciada a implantação do metrô de superfície como uma alternativa rápida, segura e menos poluente para o transporte de massa.

Em 84, a canalização do Ribeirão Arrudas, que está sendo concluída agora em 1997, pôs fim ao problema das enchentes que todos os anos causava prejuízos ao centro da capital.

A memória da cidade começou a ser mais valorizada, com o tombamento de vários edifícios de importância histórica. A população ganhou, ainda, diversos espaços de lazer, como o Parque das Mangabeiras, inaugurado em 82, e o Mineirinho. A área de saúde também experimentou grandes avanços com a redução do número de casos de poliomielite e tétano, graças às campanhas de vacinação infantil.

Ainda assim os problemas não desapareceram. A Pampulha, um dos principais cartões-postais da cidade, era uma lagoa praticamente morta, tão poluída estavam suas águas. Uma praga de aguapés havia tomado conta de quase toda a superfície da lagoa, reproduzindo-se descontroladamente e provocando um desequilíbrio ecológico.

Na década atual, a valorização do espaço urbano teria continuidade. Em 1990, a Lei Orgânica do Município foi aprovada, trazendo avanços em diversos setores sociais. Em 92, criou-se o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município para tratar do tombamento de construções de valor histórico. Espaços como a Praça da Liberdade, a Praça da Assembléia e o Parque Municipal, que se encontravam abandonados e desvalorizados, foram recuperados e a população voltou a frenqüentá-los e a cuidar de sua preservação.

Em 96, o Plano Diretor da cidade e a Lei de uso e Ocupação do Solo passaram a regular e ordenar o crescimento da capital.

A cultura passou a ser valorizada como um instrumento de conquista da cidadania. Assim, surgiram inúmeros projetos com o objetivo de popularizar a arte. O Grupo de Teatro Galpão é um dos que levam seus espetáculos às ruas. Com ele surgiu a iniciativa do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua.

Na música, o Coral Ars Nova, já se apresentou em todos os continentes e venceu diversos concursos internacionais de coros e o Grupo Uakti, principal grupo de música instrumental e experimental do Brasil. Na dança, há os exemplos dos grupos 1º Ato e Corpo.

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