15/09/11

FINADOS - 02 DE NOVEMBRO

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Os mártires, a perseguição, os “encontros” e orações em catacumbas, cemitérios e áreas isoladas marcaram o início da vida eclesial de muitos cristãos. Os mais antigos sacramentários romanos atestam o uso de missas pelos defuntos. Não sendo realizadas nos funerais (devido perseguições etc.), as celebrações funerárias aconteciam depois, como co-memoração. A essa prática estão vinculadas diretamente às missas de sétimo e trinta dias.

Paralelamente surgiu o registro dos vivos e mortos a serem lembrados nas missas, como pratica-se ainda hoje em toda a Igreja. Esse costume está bem documentado na época carolíngia (IX-X séculos). Isso tomou o lugar dos antigos dípticos, tabuinhas de cera onde figuravam os nomes dos doadores de oferendas. Esses registros eram chamados de livros da vida (Libri vitae) e, como foi dito, incluíam vivos e mortos. Depois, os mortos foram separados dos vivos nessas listas. Desde o século VII (Irlanda), escreviam-se os nomes dos mortos em rolos que circulavam como informação entre monastérios e comunidades. Era também uma maneira de comunicar a morte de monges e membros das comunidades, num contexto carente de meios de informação, muito diferente dos dias de hoje.

Dessa tradição surgiram as necrologias (lidas nos ofícios) e obtuários (lembrando serviços fundados ou obras de misericórdia dos defuntos em suas datas). Passou-se claramente das menções globais aos nomes individuais. Os libri memorialis carolingianos continham de 15.000 a 40.000 nomes a serem lembrados! As necrologias clunisianas (Abadia de Cluni na França) mencionavam de 40 a 50 nomes por dia! A lembrança litúrgica estava garantida duravelmente aos mortos nominalmente inscritos. Rapidamente, em toda a Igreja, o tempo da morte individual se impõe doravante nos registros mortuários.

Existe uma importante contribuição e originalidade clunisiana no cuidado devido aos mortos pela Igreja que corresponde aos anseios da comunidade e à visão de uma Igreja Peregrina em comunhão com a Igreja Transcedental ou Triunfante (comunhão dos santos). Entretanto, um certo caráter elitista marcava essa união dos vivos com os mortos, pois dizia respeito, em geral, aos grupos dirigentes. Por essas razões, a Igreja decidiu estender à totalidade dos mortos, de forma solene, uma vez por ano, essa atenção litúrgica.

No século XI, entre 1024 e 1033, Cluni instituiu a comemoração dos mortos no dia 2 de novembro, em contato com a festa de todos os santos. O próprio mundo profano, em geral, também vai aderir a essa prática. Trata-se hoje de um dos feriados mais universais. São cerca de 1000 anos de celebração de Finados pela fé na ressurreição! A Festa dos Mortos será rapidamente celebrada em todo mundo cristão e pagão. Ela surge como um vínculo suplementar entre vivos e mortos na prática da Igreja, destinada a todos.

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