25/08/11

LITERATURA - LIMA BARRETO - BIOGRAFIA - OBRAS

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Nascido em 1881 no Rio de Janeiro, Afonso Henriques de Lima Barreto viveu parte da infância na Ilha do Governador onde o pai, ex-tipógrafo da Imprensa Nacional, era almoxarife da Colônia dos Alienados. Após os estudos secundários no Colégio D. Pedro II, ingressou no curso de Engenharia da Politécnica, do qual saiu em 1903, para cuidar do pai, mentalmente enfermo.

Concursado, trabalhou na Secretaria da Guerra, o que lhe deu tranqüilidade financeira. Datam desse período alguns de seus contos e publicações na imprensa. Vítima de preconceitos, viveu intensamente todas as contradições do início do século, entregando-se à depressão e ao álcool. Esteve duas vezes internado no Hospício Nacional, devido à bebida (1914 e 1919).

Literatura

A pobreza e a situação social suburbana de Lima Barreto aguçaram sua visão e senso crítico. Sua obra é uma crônica autêntica dos subúrbios cariocas e de sua população, retratando, de um lado, a população pobre e oprimida desse subúrbio e, de outro, o mundo vazio de uma burguesia medíocre; de políticos poderosos e incompetentes e de militares opressores. Parece refletir, muitas vezes, a própria experiência do autor, principalmente a dos negros e mestiços, que sofriam na pele o preconceito racial.

Prendendo-se à autenticidade histórica daquele tempo, sua ficção retrata acontecimentos importantes da vida republicana. Consciente dos problemas, critica o nacionalismo exagerado e utópico, oriundo do Romantismo. No quixotesco Triste Fim de Policarpo Quaresma [ver Antologia], tem-se o nacionalismo tomado como bandeira isolada, tornando-se absurdo e patético. Além disso, aponta para o exagerado militarismo em nossa política republicana, que levou o país à ditadura de Floriano, dando origem a um nacionalismo manipulado e perigoso.

O ingênuo e caricato "Dom Quixote" - Policarpo Quaresma - parece nada perceber ou ver, mas é através de sua luta contra moinhos de ventos, que nós, leitores, começamos a enxergar a figura caricata da sociedade. Percebemos a hipocrisia e as falsas aparências; a ligação do dinheiro com o prestígio social e intelectual; a educação matrimonial dispensada às mulheres; a questão racial; a oposição entre arte popular espontânea e o artificialismo da arte parnasiana, oficial e elitizante.

Esse espírito crítico se revela também no campo lingüístico. Sua obra, em déficit com a pureza vernácula dos escritores da época - Rui Barbosa e Olavo Bilac - e juntando linguagem culta e cotidiana, reflete as contradições culturais daquele período. Em um estilo leve e fluente, o autor utiliza intencionalmente expressões da língua falada da época. Próximo do discurso jornalístico, esse estilo, apesar de muito criticado, acabou sendo usado por muitos autores modernistas, após 1922.

Lima Barreto morreu solteiro, em 1 de novembro de 1922, de aos 41 anos, de infarto.

PRINCIPAIS OBRAS

Romance

Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909); Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915); Numa e Ninfa (1915); Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919); Bagatelas (1923); Os Bruzundangas (1923).

Conto

Histórias e Sonhos (1920).

Publicações Póstumas

Romance

Clara dos Anjos (1948); Obras Completas - além das citadas acima, Coisas do Reino de Jambom (sátira); Feiras e Mafuás (artigos e crônicas); Vida Urbana (artigos e crônicas); Marginália (artigos e crônicas); Impressões de Leitura (crítica); Diário Íntimo (memórias);  Correspondência - Ativa e Passiva, 2 vols,  São Paulo, Brasiliense, 1956,  O Cemitério dos Vivos (memórias).

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