13/08/11

DIA DOS ANIMAIS - 04 DE OUTUBRO - Surgimento - Espécies ameaçadas - Classificações - Direitos dos animais

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Na antiguidade

Em tempos remotos, a quantidade de animais e plantas no planeta era tanta, que o homem não chegava a representar qualquer tipo de ameaça às espécies existentes. Hoje em dia, no entanto, a situação é bem outra: somos mais de seis bilhões de pessoas no mundo, com práticas e atitudes que vêm diminuindo a população dos animais e também a das plantas e organismos vivos da terra.

O comércio ilegal de inúmeras espécies, além da destruição dos ecossistemas naturais, vêm a ser as duas grandes ameaças à sobrevivência da vida silvestre. No Brasil, são mais de 200 espécies da fauna e mais de 100 da flora que estão condenadas à extinção, caso nenhuma medida seja tomada a respeito com o intuito de protegê-las. Entre os vegetais, o mogno é uma árvore sob ameaça de desaparecer, assim como a arara azul e o mico-leão-dourado são animais em vias de sumir do planeta. Mexer com a flora é também mexer com a fauna, desequilibrando a relação bicho-habitat.

Como surgiram os animais

Para falar do surgimento dos animais temos que lembrar a escala geológica da terra. Os paleontólogos (que estudam os animais e vegetais fósseis) remontam a vida no planeta ao período chamado pré-Cambriano, a época das primeiras coisas viventes, 3,6 bilhões de anos atrás.

Na era Paleozóica (mais ou menos entre 500 e 300 milhões de anos atrás) em seu primeiro período, o Cambriano, surgiram a vida marinha e os primeiros vertebrados. Em seguida, no período Ordoviciano, surgiram os primeiros corais catalogados e outros seres da vida marinha (chamados de briozoários). No Siluriano, surgiram as primeiras plantas e os animais invertebrados. No Devoriano, os primeiros anfíbios, insetos e peixes. No Carbonífero, os primeiros répteis. No Permiano, houve a extinção de muitos animais.

Animais - Suricates

Atribui-se à era Mesozóica (perto de 250 a 65 milhões de anos atrás), período Triássico, o aparecimento dos primeiros dinossauros e mamíferos; ao Jurássico, dos primeiros pássaros e mais e mais dinossauros; porém no período Cretáceo, dinossauros e outros organismos foram extintos. Dinossauros representavam menos de 10% dos mais de 40 grupos de répteis da Era Mesozóica.

Vêm da Era Cenozóica (de 65 milhões de anos atrás até nossos tempos), período Paleogeno, o surgimento dos tipos modernos de plantas floríferas e a expansão e diversificação de mamíferos. No período Neogeno, o homem moderno se espalhou por todo o planeta, mas muitos mamíferos desapareceram.

Cientistas acreditam também que há cerca de 65 milhões de anos aconteceu um grande impacto no planeta, causado pela queda de um asteróide, alterando a superfície da terra e com resultados ambientais tão devastadores que muitos seres vivos não conseguiram sobreviver. Há correntes científicas que acreditam nesse impacto, mas não o consideram a única causa da extinção dos dinossauros na Era Mesozóica. Pelos registros fósseis, a diversidade entre eles já estava em declínio no final do Cretáceo.

Mas os dinossauros são o melhor exemplo de sucesso e adaptação. Eles estiveram no planeta por mais tempo do que qualquer outro animal terrestre (por mais de 150 milhões de anos) e deram origem aos pássaros.

O que costumamos aprender comumente sobre os eles, em livros, cinema e TV, nem sempre é 100% correto, existe muita informação desatualizada e mesmo incorreta, muitas vezes sem por exemplo uma revisão de paleontólogos, os especialistas em estudá-los. O assunto desperta grandes paixões e vale a pena aprofundar os conhecimentos sobre ele.

Espécies ameaçadas

Só gostamos do que entendemos e só entendemos o que conhecemos bem. Conhecer algumas das espécies ameaçadas de extinção talvez nos leve a compreender melhor a importância de protegê-las.

O urso panda, por exemplo. Escolhido para ser o símbolo de todos os animais ameaçados de extinção, possui um olhar desamparado e movimentos desengonçados por conta do seu peso: 130 quilos, muito para a sua pouca estatura, de apenas um metro e meio. Pois é justamente esse jeito atrapalhado e a aparência de urso de pelúcia que conquistam a simpatia imediata de quem o vê. Natural, portanto, o panda ter se tornado símbolo da luta contra a extinção de animais que, como ele, não têm como se defender da degradação da natureza, imposta por nós, homens.

Facilmente encontrados, tempos atrás, na China e no norte do Vietnã, são atualmente apenas 1.000 no mundo. Isto se deve à devastação das florestas da Ásia e à intensa caça, em busca de sua pele. Vegetarianos e de hábitos solitários, os poucos ursos pandas que restam vivem, hoje, em reservas florestais ou cativeiros.

Araras - Animais - Aves

Já as araras-azuis, encontradas no Brasil, Paraguai e Bolívia, diminuíram acentuadamente em número, se comparado ao século passado, quando existiam aos milhares. A captura da ave, para ser comercializada tanto aqui quanto no exterior, e a ocupação de seu habitat pela agricultura e pecuária levaram à morte grande parte da população de araras-azuis.

Somente 3.000 delas ainda vivem, a maioria no Pantanal, devido à destruição dos lugares onde gostam de ficar.

A arara-azul pesa um quilo e meio e tem um metro de comprimento. Só andam em bandos, em família ou em pares, sendo quase impossível vê-las sozinha na natureza, uma vez que o casal é extremamente fiel, dividindo a tarefa de cuidar dos filhotes.

Assim como o urso panda é símbolo de todos os animais ameaçados de extinção, o mico-leão-dourado, por sua vez, se transformou no símbolo das espécies ameaçadas no Brasil. Pequenos e inquietos, vão de galho em galho, em busca de alimento ou simplesmente fiscalizando território. Sempre estão em grupos de mais ou menos seis micos, que adotam uma parte da mata, onde se alimentam e dormem. Quase extinto na década de 70, teve garantida sua sobrevivência através de projetos visando à preservação da espécie. Apesar de, hoje em dia, não serem mais caçados para exposição em zoológicos ou mesmo para bichinhos de estimação, eles têm pela frente uma outra dificuldade: a destruição da Mata Atlântica, que é o seu habitat.

Não é o caso da onça pintada, cuja pele ainda é objeto de muita caça e procura. Na Europa e nos Estados Unidos, o seu alto preço é um estímulo para que a contravenção continue, levando ao declínio da espécie. Presume-se que, em toda a América do Norte, ela já tenha sido extinta. E em El Salvador, no Uruguai e no Chile é provável que também tenha desaparecido.

A onça pintada continua sendo alvo de intensa caça, mesmo com ameaça de extinção na Argentina, Costa Rica e Panamá. No Brasil, a Bacia Amazônica é um dos últimos redutos da onça pintada, uma vez que ela já foi exterminada na Mata Atlântica, no cerrado e na caatinga. É o maior felino do continente americano, possui um corpo compacto, com 150 quilos e dois metros e meio de comprimento (contando com a cauda) e são extremamente ágeis e graciosas. Silenciosas, vivem sempre sozinhas, acasalando-se uma vez ao ano, sem permanecer muito tempo com o parceiro.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis - IBAMA é responsável pela publicação da lista oficial de animais ameaçados de extinção, que é elaborada em conjunto com comitês e grupos de trabalho de cientistas especializados em cada grupo animal.

Animais - Primeiras classificações

A primeira classificação dos animais, como conhecemos hoje, se deu em 350 a.C., com Aristóteles. Este filósofo grego catalogou, na época, 500 espécies. Ele já considerava o golfinho, por exemplo, um bicho da terra, explicando que, ao contrário dos peixes, ele amamentava os seus filhotes. Assim como as baleias, o golfinho se desenvolveu, de fato, em terra firme, migrando depois para o mar.

Mal podia imaginar o sábio Aristóteles que, num futuro distante, esses mesmos golfinhos estariam ameaçados de extinção, necessitando de projetos voltados para a proteção das espécies, a fim de evitar o pior, ou seja, o extermínio. Aqui mesmo no Brasil, a noroeste da principal ilha do arquipélago de Fernando de Noronha, na costa pernambucana, os chamados golfinhos-rotadores são objeto de preocupação e cuidados de pessoas e entidades que se dedicam ao ecoturismo naquela região.

Os golfinhos-rotadores ganharam esse nome por conta das inúmeras acrobacias executadas ao saltarem e mergulharem na água. Tipo de comportamento alegre, ainda não entendido pelos estudiosos, podendo ser desde uma mera brincadeira até uma sinalização acústica.

As maiores ameaças a esses mamíferos marinhos são, além de um turismo não controlado, degradando e poluindo o habitat natural, as capturas acidentais e também intencionais dos pescadores. Já nas Filipinas, na Austrália e Venezuela, por exemplo, a captura desses animais tem como objetivo aproveitar a gordura do golfinho para usar como isca na pesca do tubarão.

Animais - Tigres

Os direitos dos animais

Há cinco séculos atrás, já havia a preocupação com os animais. Mas foi em 1978 que os seus direitos foram registrados, quando a UNESCO aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Animal. O Dr. Georges Heuse, secretário geral do Centro Internacional de Experimentação de Biologia Humana e cientista ilustre, foi quem propôs esta Declaração. Você confere a seguir o texto do documento, que foi assinado por vários países, inclusive o Brasil.

Declaração Universal dos Direitos dos Animais

Art. 1º - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Art. 2º - O homem, como a espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando este direito; tem obrigação de colocar os seus conhecimentos a serviço dos animais.

Art. 3º - Todo animal tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de um animal for necessária, deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.

Art. 4º - Todo animal pertencente a uma espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e tem direito a reproduzir-se; Toda privação de liberdade, mesmo se tiver fins educativos, é contrária a este direito.

Art. 5º - Todo animal pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e de liberdade que forem próprias de sua espécie; Toda modificação deste ritmo ou destas condições, que forem impostas pelo homem com fins mercantis, é contrária a este direito.

Art. 6º - Todo animal escolhido pelo homem como companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente à sua longevidade natural; Abandonar um animal é ação cruel e degradante.

Art. 7º - Todo animal utilizado em trabalho tem direito à limitação razoável da duração e intensidade desse trabalho, alimentação reparadora e repouso.

Art. 8º - A experimentação animal que envolver sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade; As técnicas de substituição devem ser utilizadas e desenvolvidas.

Art. 9º - Se um animal for criado para alimentação, deve ser nutrido, abrigado, transportado e abatido sem que sofra ansiedade ou dor.

Art. 10º - Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem; As exibições de animais e os espetáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal.

Veja o vídeo com animais em risco de extinção






Vídeo com animais silvestres e domésticos



Art. 11º - Todo ato que implique a morte desnecessária de um animal constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.

Art. 12º - Todo ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie; A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Art. 13º - O animal morto deve ser tratado com respeito; As cenas de violência contra os animais devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos do animal.

Art. 14º - Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem ter representação em nível governamental;

"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade". Leonardo da Vinci (1452-1519).

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