20/08/11

DIA DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA - 17 DE OUTUBRO - Expansão industrial - Nacionalização

Com o início da expansão industrial brasileira nos idos dos anos sessenta, a atividade da Seção Comercial do PAMASP prosperou significativamente, registando, naquela época, inúmeros trabalhos executados para empresas nacionais que foram embrião do atual complexo industrial nacional.

Houve uma época em que a Força Aérea possuía um complexo industrial considerado muito melhor do que o da indústria brasileira. Essa conjuntura foi decorrente do intenso investimento feito pelo Ministério da Aeronáutica, na década de quarenta, quando, com a colaboração da Base Aérea norte-americana de Wright Patterson, foi especificado um projeto industrial dimensionado para apoiar a manutenção anual de até oitocentos aviões da categoria do bombardeiro médio B-25 MITCHELL.

O local escolhido para acolher toda essa estrutura foi o Campo de Marte, onde se encontrava o Parque Aeronáutico de São Paulo (hoje Parque de Material Aeronáutico de São Paulo - PAMASP), organização do Sistema de Material da Aeronáutica que tem por missão prover a manutenção mais aprofundada das aeronaves da Força Aérea. Após a conclusão do projeto, o PAMASP tornou-se, na época, o maior complexo industrial da América Latina.

Como o potencial industrial instalado no PAMASP excedia as necessidades do, então, Ministério da Aeronáutica, um grupo de militares e servidores civis empreendedores vislumbraram a possibilidade de prestar serviços à indústria brasileira.

Em consequência, foi criada a Seção Comercial do PAMASP, respaldada no Decreto 30.668 de 25 de Março de 1953.

Todas essas atividades estavam respaldadas no bem treinado efetivo de servidores civis e militares, verdadeiros artífices.

Nessa faina, foi iniciada também a fabricação de peças para uso aeronáutico, a fim de se obter presteza no atendimento da necessidade de ressuprimento de material importado, economia de recursos e independência tecnológica.

Na década de setenta, a dificuldade de obtenção de material aeronáutico norte-americano aumentou devido à conjuntura internacional. A solução encontrada, na época, para o problema foi a nacionalização de material aeronáutico, que, até então, era um aproveitamento da capacidade industrial instalada, passou a ser uma necessidade essencial para apoio à Força Aérea Brasileira, pois a maior parte das nossas aeronaves era de procedência norte-americana.

A nacionalização de material aeronáutico cresceu rapidamente, devido a sua importância estratégica. A nova dimensão da atividade do PAMASP começou a "distrair" a organização incubadora da sua missão original.

Sentiu-se, portanto, a necessidade de que a atividade de nacionalização tivesse a sua própria identidade. Em consequência, o setor do PAMASP que fabricava peças para o emprego aeronáutico foi "terceirizado" em Julho de 1977, passando a ocupar as atuais instalações, com o nome de "Comissão de Nacionalização de Material".

Na visão dos pioneiros, a nacionalização e a aquisição navegavam na mesma esteira, por isso, no dia 10 de Maio de 1982, foi criada a Comissão Aeronáutica Brasileira em São Paulo, concentrando na mesma Organização as atividades de nacionalização e de aquisição de material aeronáutico, situação mantida até a presente data.

Dia da indústria aeronáutica brasileira

É importante salientar que nacionalização não é a simples substituição de um produto estrangeiro por um similar encontrado no mercado nacional. Nacionalização é um processo dinâmico que visa o ressuprimento de material, envolvendo fases distintas, como:

o estudo preliminar da necessidade, da viabilidade técnica, econômica e legal da fabricação, no Brasil, de um produto similar ao importado;

a pesquisa da forma e da composição do modelo original e elaboração de um projeto;

a identificação e seleção de uma Organização da Aeronáutica ou empresa qualificada a executar o projeto;

a fabricação do item de acordo com os requisitos estabelecidos;

a inspeção da qualidade do item fabricado, executada por uma equipe treinada e qualificada nas atividades de Controle de Qualidade;

a aprovação e implantação do item no Sistema de Suprimento da Aeronáutica; e

o acompanhamento do comportamento do item durante o seu ciclo de vida.

Dependendo do envolvimento do item na segurança de voo, nesse processo são feitos ensaios para a convalidação ou homologação do produto nacionalizado. Todo o processo de nacionalização encontra-se detalhado no Manual de Nacionalização (MMA 67-3) da Diretoria de Material da Aeronáutica.

Hoje, após a Aeronáutica ter cooperado por décadas com o desenvolvimento da indústria nacional, evidencia-se, em muitos casos, uma inversão nessa cooperação, notadamente quando a Comissão Aeronáutica Brasileira em São Paulo (CABSP) busca o apoio da indústria para a fabricação de componentes que atendam às rigorosas normas aeronáuticas.

MISSÃO

Pelo atual regulamento, é atribuída à CABSP a aquisição de material aeroespacial no mercado interno e a nacionalização desse material necessário à operação e à manutenção de aeronaves, de engenhos aeroespaciais e seus equipamentos de apoio.

Embora as atividades acima se aparentem distintas, pertencem, na verdade, ao mesmo processo, ou seja, o atendimento de uma necessidade de ressuprimento através da compra no mercado nacional ou através da engenharia inversa, fabricando-se no Brasil uma cópia do modelo original estrangeiro. Percebe-se que, enquanto na aquisição há a simples troca de moeda, na nacionalização há também a troca de conhecimento, agregando valor e independência tecnológica nesse processo.

Considerando-se que os clientes, dos serviços prestados pela CABSP nem sempre conhecem a multiplicidade de formas de se atender às suas necessidades no campo do ressuprimento de material, pode-se dizer que o melhor enunciado para a missão da Comissão é:

"Buscar soluções para o provimento de bens necessários para o preparo e emprego da Força Aérea Brasileira".

REALIZAÇÕES

Desde sua criação, a CABSP acumulou um considerável acervo de produtos nacionalizados, totalizando mais de dez mil itens. O número de peças produzidas e fornecidas para uso supera a marca de quatro milhões distribuídas em trinta e quatro mil lotes.

Normalmente são prioritizados para a nacionalização os itens de utilização geral que, em princípio, não requerem investimentos elevados para a fabricação e têm consumo considerável, tais como: anéis e buchas; elementos filtrantes; escovas de gerador; gaxetas e juntas; itens elétricos como resístores, contatos, lâmpadas, capacitores, relés, transístores; molas e engrenagens; parafusos, porcas, arruelas e pinos; pastilhas de freio, peças de plásticos, acrílico e vidro; itens de apoio à aviação como estropos, garfos de reboque, calços e outros que são essenciais para o funcionamento da manutenção e pesam no processo de importação.

Além da produção dos itens que fazem parte do dia-a-dia da CABSP, há outros considerados estratégicos, em face das dificuldades de serem encontrados, decorrentes da descontinuidade da produção no exterior. Destacam-se, nesse contexto:

Rodas do C-115 "Buffalo", aeronave imprescindível para a exploração e o desenvolvimento da Amazónia cujo fabricante não mais existe;

Tubo de exaustão e braçadeira de fixação ao conjunto motopropulsor da turbina Rolls-Royce que equipa a aeronave AT-26 Xavante.

Componentes como esses, só puderam ser confeccionados graças ao empenho da equipe da CABSP, promovendo a parceria entre a indústria nacional, os Parques de Material de Aeronáutica e o Centro Técnico Aeroespacial.

POTENCIAL

Todo o potencial da CABSP está respaldado na capacitação de seus recursos humanos, fruto de anos de investimento em cursos e pesquisas, elaboração de projetos multidiversificados e controle de qualidade de imensa gama de produtos.

O relacionamento diário com as empresas permitiu a formação de um cadastro, contendo a capacidade instalada das indústrias brasileiras para a fabricação de produtos de interesse da Aeronáutica.

A Seção de Projectos da CABSP é formada por profissionais com vasta experiência na elaboração de projetos através do processo de engenharia inversa. Para tanto, o setor está equipado com uma moderna rede de computadores e utiliza-se da última versão do aplicativo Autocad para desenhar as peças e do aplicativo Solidwork para a simulação em projetos que possuem peças articuláveís.

Para os trabalhos desse setor, houve a necessidade de se obter um amplo acervo de normas técnicas, destacando-se as NAS - Aeroespace Industries Association of America; MS - Military Standards; ASME - American Society of Mechanical Engineers; ASTM - American Society for Testing Materials; ASQC - American Society for Quality Control; SAE - Society of Automotive Engineers; e BSI - British Standards Instituition.

Aliado a esse precioso património, investiu-se, durante décadas, em equipamentos para o Laboratório de Controle de Qualidade devidamente especificado para atender às rigorosas normas aeronáuticas.

FUTURO

A atividade de nacionalização de material aeronáutico retorna para a própria Força Aérea, para o Parque Industrial, para a sociedade e para a nação brasileira, dividendos nitidamente percebidos em tempos de paz, gerando trabalho no mercado nacional e capacitando a indústria brasileira para a operação, com a tecnologia de ponta.

"Em circunstâncias contenciosas, quando as portas de conveniências entre países fecharem-se para o Brasil, os dividendos da nacionalização serão percebidos através da sensação de segurança proporcionada à sociedade, cliente final das Forças Armadas, através da garantia da soberania na defesa nacional decorrente da independência tecnológica".

Todo o contexto apresentado sinaliza que o rumo a ser seguido é na direcção de:

"Consolidar a CABSP como uma organização imprescindível para o Comando da Aeronáutica, pela excelência na solução de problemas voltados ao provimento de bens para o preparo e o emprego da Força Aérea".

- Diretoria de Engenharia da Aeronáutica, Ano 11, Nº 20, Novembro de 2001.

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