24/07/11

MITOLOGIA - ULISSES ( II ) - FILOSOFIA

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Em Feácia, a princesa Feaciana Nausícaa, inspirada por Atena, tinha escolhido aquele mesmo dia para uma ida à foz do rio para lavar roupas nas fundas lagoas que lá existiam. Quando ela e suas criadas terminaram a lavagem e espalharam as roupas sobre os seixos, tomaram banho, comeram e se divertiram cantando e brincando com uma bola enquanto esperavam que as roupas secassem. Quando Nausícaa atirou a bola para uma das criadas, esta não conseguiu segurar e acabou caindo no rio; todas as moças gritaram alto e Ulisses acordou de seu sono, imaginando em que terra selvagem tinha chegado agora. Quebrando um galho, o qual utilizou para esconder sua nudez, emergiu de sua moita e encontrando Nausícaa bravamente mantendo o seu lugar, enquanto as outras moças fugiram em pânico. Dirigiu-se a Nausícaa numa súplica, pedindo-lhe para mostrar o caminho para a cidade e para que desse algo para vestir. Nausícaa respondeu-lhe com dignidade e gentileza, e, após ter tomado banho, Ulisses passou óleo no próprio corpo e vestiu-se com uma das finas roupas delas; deu-lhe comida e bebida, e ele a acompanhou juntamente com as outras moças de volta aos arredores da cidade. Para evitar fofocas, Nausícaa deixou Ulisses neste ponto, para que fosse só ao centro da cidade. Sugeriu que fosse direto à casa de seu pai Alcínoo e caísse aos pés de sua mãe Arete com uma súplica.

Guiado pela própria Atena na forma de outra moça local, Ulisses chegou ao esplêndido palácio de Alcínoo. Havia paredes de bronze e portões de ouro, guardados por cães de guarda de ouro e prata. Dentro do palácio, a luz era fornecida por estátuas de ouro maciço mostrando jovens portando tochas. Dentro do pátio havia um lindo jardim e horta, com árvores frutíferas, vinhas e uma bem aguada cobertura vegetal. Após ter admirado tudo isso, Ulisses, envolto numa névoa criada por Atena, entrou e caminhou diretamente em direção à rainha Arete, colocando seus braços em volta de seus joelhos numa súplica. Assim que a névoa disfarçante se dissipou, os Feácios escutaram com espanto sua petição: pediu abrigo e para ser transportado para sua terra natal.

Ulisses (Odisseu) - Mitologia

Quando se recobrou de sua surpresa inicial, Alcínoo foi generoso na sua reação. Polidamente, evitou questionar seu hóspede imediatamente, arranjou-lhe um descanso imediato, prometendo que pela manhã medidas seriam tomadas para retorná-lo a sua terra. Quando os outros Feácios se retiraram e Ulisses ficou a sós com Alcínoo, Arete perguntou-lhe quem era e como tinha conseguido suas roupas, as quais não tinha tardado a reconhecer. Ulisses, então, contou a estória de suas aventuras desde que tinha deixado a ilha de Ogigia, explicando como tinha encontrado Nausícaa na foz do rio. Enquanto isso, Arete arranjou que um leito fosse arrumado e Ulisses ficou grato em se retirar.

No dia seguinte um barco foi emparelhado para transportar Ulisses de volta à sua casa, mas antes de partir, o hospitaleiro Alcínoo insistiu em festejar seu hóspede e regalá-lo com esportes e outros entretenimentos. Primeiro o bardo Demódoco atuou para o grupo reunido, cantando um episódio da guerra de Tróia, uma discussão que tinha ocorrido entre o ilustre Aquiles e o inteligente Ulisses. Enquanto escutava, Ulisses chorou e moveu seu manto sobre a cabeça para esconder sua tristeza. Apenas Alcínoo percebeu, e para alegrar seu convidado propôs algumas competições atléticas. No início Ulisses ficou alegre ao observar os jovens nobres, mas, quando desafiado, atirou o disco a uma distância recorde. A seguir, ocorreram danças e então Demódoco cantou novamente a estória das aventuras amorosas de Afrodite e Ares. Os nobres Feacianos competiram entre si para presentear Ulisses. Na refeição da noite, Demódoco cantou novamente, e com sugestão de Ulisses o tema foi o Cavalo de Madeira de Tróia. Ulisses chorou novamente enquanto ouvia, e novamente apenas Alcínoo o observou. Ao fim da estória, Alcínoo pediu a Ulisses que lhes contasse quem era, de onde vinha e para onde desejava ser transportado; e porque chorava com as canções do bardo. Assim convidado, Ulisses contou quem era e descreveu todas as aventuras pelas quais tinha passado: falou dos Cicônios e dos Comedores de Loto, do Ciclope, Éolo, os Lestrigões, Circe, sua visita ao mundo dos mortos, as Sereias, Cila e Caridbe e o Rebanho do Sol, finalizando com sua estada com Calipso, de onde acabou por sair e ser trazido à terra dos Feácios.

Na manhã seguinte Ulisses despediu-se finalmente de seus anfitriões e um rápido barco Feaciano o conduziu sem incidentes a Ítaca. Ulisses dormiu quando o barco percorria sua rota, e estava ainda adormecido quando a estrela d'alva surgiu e a tripulação o colocou, juntamente com os presentes recebidos dos Feácios, na praia de Ítaca, ao lado de uma maravilhosa caverna, morada das ninfas. Quando Ulisses acordou não conseguiu reconhecer o local, em grande parte porque Atena tinha lançado uma névoa sobre a ilha, para lhe dar tempo de encontrar Ulisses e lhe arranjar um disfarce adequado. Como estava nervosamente se perguntando onde os traiçoeiros Feácios o tinham desembarcado, Atena apareceu na forma de um pastor e, em resposta às suas perguntas, contou-lhe que estava realmente em Ítaca. O cansado Ulisses contou a deusa uma estória sobre ser um exilado cretense; ela sorriu diante de sua inteligência e em resposta revelou sua verdadeira identidade, reafirmando-lhe que estava realmente em Ítaca, e o aconselhou como deveria proceder para reconquistar sua esposa e reino.

Ulisses em Ítaca

Nos vinte anos que Ulisses esteve fora de casa, a maioria do povo de Ítaca, fora sua esposa Penélope, seu filho Telêmaco e uns poucos amigos fiéis, acreditava que estava morto, que tinha morrido em Tróia ou na sua viagem de volta. Como Penélope não era apenas bonita e completa, mas também rica e poderosa, sendo que o homem que casasse com ela herdaria a riqueza e a posição de Ulisses, estava sendo acossada por pretendentes, jovens nobres que permaneciam no palácio de seu marido, comendo e bebendo suas provisões e forçando suas atenções indesejadas sobre ela. Pelo período que pode, Penélope ganhou tempo, convencendo cada um que havia base para esperança, mas não dizendo nada definitivo a qualquer um deles. Por três anos os enganou, dizendo que estava tecendo um manto para o velho pai de Ulisses, Laerte; seria inadmissível que ele morresse sem que tivesse uma mortalha pronta; portanto deveriam aguardar sua decisão até que tivesse terminado sua tarefa. Todos os dias trabalhava no tear, mas à noite desfazia seu trabalho sob luz de tochas. No início do quarto ano, entretanto, foi traída por uma de suas criadas, que ajudou seus pretendentes a pegá-la no seu artifício. E relutantemente foi forçada a terminar seu tecido.

Pouco antes da chegada de Ulisses em Ítaca, Atena inspirou Telêmaco, agora com idade para desempenhar um papel ativo no retorno de seu pai, a fazer uma jornada com o objetivo de descobrir o que lhe tinha acontecido. Telêmaco se dirigiu primeiramente a Pilos, onde consultou o velho Nestor; Nestor não tinha novidades, mas o enviou ao magnificente palácio de Menelau em Esparta. Menelau e Helena o trataram com grande bondade, e Menelau explicou como tinha ficado sabendo de um Velho Homem do Mar que Ulisses estava retido na ilha da linda ninfa Calipso. Quando Ulisses chegou a Ítaca, Telêmaco estava voltando para casa; os pretendentes, irritados e um pouco alarmados pelo comportamento de Telêmaco, planejaram emboscar seu barco durante o seu retorno, mas, com a ajuda de Atena, Telêmaco escapou desta armadilha e chegou a salvo em casa.

Atena aconselhou Ulisses a não ir diretamente à cidade mas, ao contrário, procurar abrigo com o porqueiro Eumeu, que vivia com seus porcos numa fazenda um pouco distante. Disfarçado como um mendigo, Ulisses fez como sua patronesse sugeriu, e foi muito bem recebido por Eumeu, cuja explanação sobre a situação na cidade era entremeada com elogios a seu senhor ausente e preces para seu retorno a salvo. Em resposta às perguntas de Eumeu, Ulisses contou-lhe uma longa estória sobre suas origens, dizendo ser um filho ilegítimo de um rico cretense; após muitas aventuras tinha acabado em Tesprótia, onde tinha ouvido falar de Ulisses, o qual tinha passado a pouco tempo por este local. O rei de Tesprótia o colocou num navio com destino a Duliquio, mas a maldosa tripulação o tinha preso, com a intenção de vendê-lo como escravo. Quando eles desembarcaram em Ítaca, conseguiu soltar-se de suas cordas e nadar para a praia, chegando então à morada de Eumeu.

Eumeu engoliu toda a estória, exceto referências a Ulisses, que se recusava a aceitar, mesmo quando seu hóspede jurou que estaria de volta naquele mesmo mês e ofereceu-se para ser jogado num abismo pelos homens de Eumeu se estivesse errado. Eumeu serviu a Ulisses uma refeição composta de carne de porco assada, e arrumou uma confortável cama perto do fogo; ele próprio passou a noite do lado de fora, cuidando da propriedade de seu senhor ausente.

Na noite seguinte, durante o jantar na cabana do porqueiro, Ulisses anunciou sua intenção de rumar para a cidade para esmolar no palácio; mas Eumeu, ansioso pela segurança de seu hóspede, insistiu que esperasse o retorno de Telêmaco. Naquela noite, foi a vez de Eumeu contar a estória de sua própria vida, e contou como tinha nascido de pais nobres mas sendo raptado por mercadores fenícios quando era criança, para ser vendido como escravo em Ítaca. Na manhã seguinte, Telêmaco chegou a ilha e, guiado por Atena, seguiu diretamente para a cabana do porqueiro. Enquanto Eumeu seguiu para a cidade para contar a Penélope que Telêmaco estava de volta, Atena dissolveu o disfarce de Ulisses e solicitou que revelasse a identidade do filho. Telêmaco a princípio relutou em acreditar que o mendigo na cabana do porqueiro era realmente seu pai, mas acabou convencendo-se e os dois choraram juntos, de alegria e alívio. Ao se recobrarem fizeram planos: Ulisses seguiria Telêmaco de volta à cidade e iria esmolar em seu próprio palácio. Lá, avaliaria a situação e esperaria a oportunidade ideal para atacar; quando esta ocasião chegasse, sinalizaria para Telêmaco e, então, os dois, com a ajuda de Zeus e Atena, dariam cabo dos miseráveis pretendentes.

Ulisses foi para a cidade em companhia do porqueiro. No caminho encontraram o pastor de cabras Melanteu, em velhaco completamente a soldo dos pretendentes, que dirigiu vários insultos e golpes ao velho mendigo. Do lado de fora, sobre um monte de esterco, estava um velho galgo, doente e debilitado. Quando escutou a voz de Ulisses, ergueu as orelhas e moveu alegremente sua cauda. Ulisses o reconheceu imediatamente e, tocado por sua aparência, disfarçadamente verteu uma lágrima. Ao comentar a aparência dilapidada do cão com Eumeu, este último respondeu que há vinte anos nenhum cão podia vencer Argos, ou farejar melhor, mas na ausência de seu senhor envelheceu e ficou malcuidado. Quando os dois entraram no prédio, Argos morreu em silêncio, feliz de ver seu senhor novamente após vinte longos anos.

Como seria previsível, Ulisses foi agredido e insultado pelos pretendentes quando tentou esmolar no seu próprio salão. Eles zombaram de seus andrajos, o ameaçaram, e um chegou mesmo a jogar um banquinho nele. Mas, ao vencer o mendigo resistente num pugilato, subiu no conceito deles. Neste ponto, Penélope foi subitamente inspirada a se mostrar aos pretendentes. Assim, desceu ao salão, onde sua beleza encheu a todos com desejo; repreendeu Telêmaco por permitir que insultassem o mendigo em sua casa, voltando-se então aos pretendentes e sugerindo que, ao invés deles consumirem sua casa, seria mais adequado que lhe trouxessem presentes. Concordaram e, para prazer de Ulisses, trouxeram finos presentes de tecidos e jóias. Ao cair da noite, era hora de novo banquete e Ulisses fez-se útil cuidando das luzes e fogos. Os pretendentes novamente desafiaram o mendigo entre eles, e outro banco foi atirado, para ser imediatamente evitado pelo seu alvo. Quando os pretendentes finalmente se retiraram para suas próprias casas para passar a noite, Telêmaco e Ulisses removeram todas as armas da sala e as guardaram num depósito. Penélope desceu então novamente para conversar com o mendigo, cuja presença tinha despertado seu interesse. Perguntou-lhe de onde tinha vindo e explicou sua própria difícil situação: os pretendentes estavam pressionando para que fizesse sua escolha entre eles, enquanto apenas desejava a volta de Ulisses. Ulisses respondeu-lhe que era um cretense de descendência real, e que tinha encontrado Ulisses em Creta. Para testar a veracidade de sua estória, perguntou-lhe que roupas Ulisses estava usando, o qual descreveu uma capa púrpura com um broche de ouro com um detalhe de um galgo mordendo um fauno. Penélope chorou quando reconheceu estes detalhes. Para animá-la, Ulisses prometeu-lhe que seu marido estava vivo, bem e muito perto; de fato estaria de volta a Ítaca naquele mesmo mês.

Penélope sugeriu então que o mendigo poderia apreciar um banho e uma cama confortável. Mas o cauteloso Ulisses, entretanto, apenas permitiu que seus pés fossem lavados por uma antiga criada, assim a velha ama Euméia foi chamada para a tarefa. Euméia comentou imediatamente como o mendigo s fazia lembrar de Ulisses; Ulisses respondeu que todos diziam o mesmo. Quando começou a lavar seus pés, Ulisses subitamente lembrou-se da cicatriz na sua perna, conseguida quando era apenas um menino e tinha se juntado a uma expedição de caça de javalis no monte Parnasso com seu avô Autólico e seus tios. Ficou nas sombras, mas evidentemente Euméia sentiu e reconheceu a cicatriz; na excitação, derrubou a bacia com água e teria gritado alto para avisar Penélope se Ulisses não tivesse agarrado firmemente pela garganta e a instruído a não contar a ninguém quem era até que se livrasse dos pretendentes. Durante todo este tempo, Penélope estava sentada absorta em seus pensamentos. Mas quando Euméia buscou mais água e terminou a tarefa e Ulisses estava novamente sentado ao lado do fogo, dirigiu-se novamente a ele e explicou seu dilema: deveria se casar para livrar Telêmaco do fardo de sua presença e das dos pretendentes, ou continuar a aguardar a volta de Ulisses? Perguntou-lhe se o mendigo poderia explicar o significado de um sonho recente no qual uma grande águia desceu das montanhas e abateu-se sobre seus vinte gansos de estimação, matando-os todos; a seguir, pousando num apoio do telhado, a ave disse-lhe que os gansos eram os pretendentes e ela própria era Ulisses. O mendigo Ulisses assegurou-lhe que o sonho se tornaria verdade e que os pretendentes seriam todos destruídos, mas a cautelosa Penélope respondeu que os sonhos são confusos; aqueles que viessem através do portão de chifre se tornariam verdade, mas aqueles do portão de marfim vinham apenas para enganar. Antes de ela se retirar para seus aposentos para passar a noite, e chorar por Ulisses até que conseguiu dormir, disse ao mendigo que pretendia anunciar uma competição entre os pretendentes. Colocaria doze cabeças de machado em linha e convidaria os pretendentes a curvar o grande arco de Ulisses e mandar uma flecha diretamente através de todas as doze. Casaria com aquele que provasse ser capaz de realizar este feito, o qual Ulisses freqüentemente era capaz de realizar.

No dia seguinte, Penélope trouxe o grande arco de Ulisses e anunciou a competição aos pretendentes, cada um esperando ser o único a curvar o arco e atirar através das cabeças de machados. Telêmaco preparou o salão para a competição e tentou curvar o grande arco, dobrando-o através de seu joelho. Isso necessitou toda a sua força, e poderia Ter conseguido se não fosse um sinal de cabeça de Ulisses para que parasse. Assim, abandonou a tentativa e os pretendentes tiveram, um por um, a sua vez, mas nenhum conseguiu curvar o arco, ainda mais mandar uma flecha através dos machados. Enquanto estavam experimentando suas forças, Ulisses esgueirou-se para fora do salão e revelou sua verdadeira identidade ao porqueiro Eumeu e ao igualmente confiável vaqueiro Filótio, orientando-os a virem em seu auxílio quando desse o sinal. Quando um dos dois líderes dos pretendentes, Eurímaco, tentou e falhou no teste, o outro líder, Antínoo, sugeriu que adiassem isto por um dia, pois tratava-se de um dia festivo e deveriam estar se banqueteando e fazendo sacrifícios ao deus-arqueiro Apolo; sua sugestão foi completamente aprovada. Após todos terem bebido seu primeiro brinde, Ulisses perguntou se ele poderia tentar o arco. Antínoo não concordou, mas Penélope, que estava observando a cena, insistiu que tivesse direito a uma chance; Telêmaco então interviu, mandando sua mãe de volta a seu quarto. No meio do burburinho o porqueiro Eumeu sorrateiramente retirou o arco e o levou a Ulisses, colocando-o nas suas mãos. Vistoriou a arma familiar, para assegurar-se que não estava danificada pelo longo desuso; então, "tão facilmente como um músico que conhece as cordas de sua lira, foi colocado novo encordoamento após a tripa de ovelha ter sido enrolada nas duas extremidades", encordoou o arco e o curvou, o qual cantou nas suas mãos como uma chamada de uma andorinha. Em silêncio, sem alarde, ajustou uma flecha no arco e atirou através de toda a linha de machados.

Os pretendentes, pegos de surpresa, ficaram ainda mais chocados com a seqüência. Ao correr Telêmaco para tomar o seu lugar ao lado do pai, Ulisses apontou uma segunda flecha, desta vez à garganta de Antínoo. Não percebendo o que estava acontecendo e pensando se tratar de um acidente, os pretendentes cercaram Ulisses furiosos, mas quando contou-lhes quem realmente era e que sua intenção era matar a todos, perceberam sua situação e tentaram atacá-lo. Ajudado pelos fiéis servos, o vaqueiro e o porqueiro, Ulisses e Telêmaco poderiam ainda estar em desvantagem pelo grande número de pretendentes, se Atena não tivesse intervido em seu favor. Pretendente após pretendente caiu ao chão, sendo poupados apenas o menestrel e o mensageiro, que foram pressionados a servirem contra a vontade aos pretendentes. Os pretendentes "jaziam aos montes, sobre o sangue e a poeira, como os peixes que o pescador tinha retirado das profundezas entre as malhas de sua rede, numa curva de praia, para jazer em grupos sobre a areia, arquejando pela água salgada até que o sol brilhante desse um fim a suas vidas". Ulisses então "manchado com sangue e sujeira, como um leão que acabasse de se alimentar de um novilho", chamou a velha ama Euméia. Ela apontou as criadas que se desgraçaram ao servir os pretendentes limpando e arrumando o salão; isto feito, foram enforcadas de uma vez no pátio.

Penélope - Mitologia

Penélope, sob a influência de Atena, tinha dormido profundamente durante o barulho da grande batalha no salão e as operações subseqüentes de limpeza. Agora foi acordada por Euméia que contou as novas sobre o retorno de seu marido. Atordoada pelo choque, não conseguia Ter completa certeza que o estranho era realmente Ulisses, ou o que deveria dizer-lhe. Cautelosa como o seu marido, ela colocou-lhe um teste final instruindo Euméia a retirar de seu quarto o grande leito que Ulisses tinha construído. Ulisses sabia que o leito era impossível de ser movido, pois tinha sido construído ao redor de uma oliveira viva. Apenas quando, exasperado pela sua obstinação, descreveu a construção da cama é que Penélope ficou convencida que ele era realmente seu marido longamente desaparecido; atirou-se em seus braços e chorou. Então foram juntos para seu leito nupcial e finalmente puderam ficar um nos braços do outro; A noite estendeu-se e Ulisses contou a Penélope todas as suas aventuras, pois a deusa Atena retardou a aurora nas praias do Oceano.


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