05/07/11

FILOSOFIA - GUERRA DE TRÓIA II

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Os gregos recorreram à astúcia nos seus esforços de capturar Tróia, após a morte de seu maior campeão. Tróia já tinha suportado o cerco por dez longos anos. O Cavalo de Madeira é considerado como sendo idéia de Ulisses, enquanto o artesão responsável por sua confecção foi Epeios. Ao ficar pronto, um grupo composto dos gregos mais corajosos entrou dentro dele, incluindo o próprio Ulisses e Neoptólemo, filho de Aquiles. O restante das forças gregas queimou suas cabanas e partiram nos barcos, indo somente, entretanto, até a ilha de Tênedo, onde aportaram e esperaram. Os troianos, mal podendo acreditar que os gregos tinham se retirado, espalharam-se pela planície, ficaram maravilhados com o cavalo de madeira e lembravam uns aos outros onde ficava o acampamento grego.

Guerra de Tróia - Cavalo de Tróia

Logo, alguns pastores encontraram um único grego que tinha sido deixado para trás, Sinon, que lhes contou que os seus compatriotas quiseram sacrificá-lo para conseguir um vento favorável para a travessia; tinha conseguido escapar com dificuldade das correntes com as quais estava preso. Esta estória despertou a compaixão dos troianos, de modo que ficaram dispostos a acreditar no restante de seu relato. Disse que os gregos, acreditando que Atena tinha se voltado contra eles, tinha decidido velejar de volta e tentar conseguir novamente as graças divinas que a expedição possuía originalmente.

Tinham construído o cavalo para agradar Atena, e o fizeram deliberadamente grande, de modo que os troianos não pudessem levá-lo para dentro de suas muralhas. Se o Cavalo entrasse em Tróia, a cidade nunca seria tomada; se ficasse de fora, os gregos acabariam voltando e arrasariam a cidade até os alicerces.

Uns poucos troianos desconfiaram do Cavalo e relutaram em trazê-lo para dentro das muralhas. A profetisa Cassandra, filha de Príamo, cujo destino era que suas profecias nunca tivessem crédito, alertou sobre a morte e a destruição que a entrada do Cavalo traria a Tróia. E Laocoonte, o sacerdote de Posídon, fincou sua lança contra os flancos do Cavalo, que ressoou com os tinidos dos homens armados, e declarou que temia os gregos, mesmo quando eles davam presentes. Mas, enquanto preparava um sacrifício ao deus que servia, duas grandes serpentes surgiram do mar e estrangularam primeiro seus dois jovens filhos e a seguir o próprio Laocoonte, antes de se refugiarem sob a altar de Atena.

Com este augúrio, os troianos não hesitaram mais e começaram a mover o grande Cavalo para dentro de suas muralhas, derrubando suas fortificações de modo a poder fazê-lo. Mesmo, então, o esconderijo dos heróis gregos poderia ter sido descoberto, pois Helena decidiu aproximar-se do Cavalo e, andando a sua volta, chamou os nomes dos heróis gregos, imitando a voz da esposa de cada homem. Alguns ficaram tentados a responder, e apenas Ulisses teve a presença de espírito de conter suas vozes.

Ao cair da noite, o traiçoeiro Sinon sinalizou para a frota em Tênedo, que retornou silenciosamente a seu antigo local de ancoragem; Sino também liberou os heróis de seu confinamento dentro do Cavalo, estando pronta a cena para o saque de Tróia. Quando os deuses do Cavalo receberam o apoio de seus camaradas dos navios, os troianos acordaram para ver sua idade em chamas. Os homens lutaram desesperadamente, resolvidos a pelo menos vender caro suas vidas, horrorizados pela visão de suas mulheres e filhos sendo arrancados de seus refúgios para serem mortos ou aprisionados.

Mais deplorável foi a morte de Príamo, assassinado no altar de seu parque por Neoptólemo, filho do homem que tinha morto seu filho Heitor. Dentre os poucos que escaparam de Tróia estava Enéias, filho de Anquises e da deusa Afrodite. Alertado por sua mãe, ele abandonou a cidade com seu filho pequeno Ascânio e seu velho pai, levando com eles os deuses de Tróia; sua esposa o seguiu, mas se perdeu na confusão, trevas e destroços da cidade que estava morrendo. Enéias estava destinado a, após muito vagar, alcançar a Itália, onde fundou uma nova e maior Tróia, a precursora de Roma.

As aventuras dos dois heróis gregos no seu caminho de volta para casa e as numerosas homenagens que receberam foram reunidas num grupo de poemas épicos conhecidos como Nostoi (Retornos). Dentre estes poemas, a Odisséia, que relata a volta de Ulisses à sua terra natal em Ítaca, é a única que sobrevive; a volta de outros heróis deve ser coletada de uma variedade de fontes.

O Retorno de Agamenon

Agamenon e Menelau eram filhos de Atreu, o qual cometeu um terrível crime quando, numa briga familiar, serviu a seu próprio irmão Tiestes um prato preparado com membros dos próprios filhos deste. Este ato trouxe uma maldição sobre a casa de Atreu, e o destino que Agamenon encontrou no seu retorno de Tróia foi em parte uma retribuição pelo crime original de seu pai.

Na ausência de Agamenon por dez anos de Micena, o governo ficou nas mãos de sua esposa Clitemnestra, auxiliada pelo seu amante Egisto, o único filho sobrevivente de Tiestes. Uma cadeia de luzes iluminou os céus transmitindo a notícia da grande vitória em Tróia para a Grécia; na ocasião que Agamenon chegou a seu palácio, os planos de Clitemnestra estavam bem adiantados.

Encontrou seu marido à entrada do palácio, insistiu que ele deveria caminhar sobre os tecidos de cor púrpura que tinha estendido para ele, numa entrada triunfal. Agamenon estava relutante em cometer tal ato de insolência e impiedade, mas acabou cedendo e selou assim sua sina. Seguindo-o para dentro do palácio, Clitemnestra o atacou enquanto estava indefeso tomando banho, primeiro envolvendo-o com uma rede, matando-o a seguir violentamente com um machado.

Os motivos dela para tão brutal assassinato eram complexos, mas parece que não era tanto devido a sua reprovável paixão por Egisto e o desejo de vingar o malfeito a seu pai e irmãos, mas o seu próprio ódio por Agamenon a levou a fazê-lo. Agamenon tinha assassinado brutalmente o primeiro marido e os filhos de Clitemnestra ante os olhos dela; também tinha sacrificado a filha deles Ifigênia em Áulis. Ela desejava vingança.

A maldição de Atreu não morreu com Agamenon, pois ele e Clitemnestra tinham outros dois filhos, Orestes e Electra, dispostos a vingar a morte do pai. Orestes, quando ainda bebê, tinha sido enviado por sua irmã para fora de Micenas para a segurança de Fócida, para protegê-lo de sua traiçoeira mãe. Electra permaneceu em casa e foi maltratada por Clitemnestra e Egisto; de acordo com algumas versões da estória, a casaram com um camponês de modo que a descendência real terminasse em ignomínia. Quando se tornou adulto, Orestes retornou secretamente à casa, acompanhado de seu amigo Pílades. Chegando à tumba de seu pai, depositou mechas de seu cabelo sobre o túmulo, que foram reconhecidos por Electra, que se aproximou para oferecer um sacrifício apaziguador em benefício de sua mãe; Clitemnestra tinha tido um sonho de mau augúrio, onde tinha dado à luz a uma serpente que tinha mamado em seu seio e sugado todo o seu sangue.

Orestes, evidentemente viu isso como um auspício para si próprio, e após uma acirrada discussão sobre os horrores do matricídio, Electra convenceu Orestes a matar sua mãe e Egisto. Devido a este feito, ele foi tornado insano pelas Fúrias, que o perseguiram até que, num julgamento especial do Areópago Ateniense, foi absolvido com base em que assassinar a mãe é um crime menos grave do que um assassinato de um marido, tendo fim a maldição da casa de Atreu.


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