15/07/11

DIA DO TRADUTOR - 30 DE SETEMBRO

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Havia, desde o tempo de Alexandre Magno, uma tradução grega das escrituras judaicas, feita pela comunidade judaica de Alexandria, mas, à medida que o cristianismo se expandia para o ocidente e se perdia o conhecimento de grego, fazia-se necessária uma tradução em latim, que era a língua que a maioria entendia.

Na verdade, já existia um texto latino, ou, melhor dizendo, uma porção deles, mas nenhum muito confiável. Era necessário, então – entendia o papa – fazer uma tradução que prestasse ou, ao menos, revisar, organizar, uniformizar e consolidar o que havia.

O papa encarregou seu secretário de arrumar aquilo tudo. Já naquela época, tradução era considerada coisa de secretária, como você vê.

O secretário do papa era um tal de Eusebius Sophronius Hieronymus. Sabia latim, que era o que se falava em Roma, sabia bem grego, como todo homem culto de seu tempo, e enganava bem em hebraico.

Sua vida agitadíssima, algo rocambolesca, terminou em 30 de setembro de 420.

Intelectual cristão respeitado até pelos judeus, Jerônimo teve lá suas limitações e falhas, como todo tradutor que se preze. Não vou agora ficar apontando as falhas dele como tradutor.

Nem que quisesse, poderia, porque entendo quase nada de latim, menos ainda de grego e absolutamente nada de hebraico e aramaico
Como traduzir textos técnicos

Em primeiro lugar, o tradutor precisa estar familiarizado com o assunto de que trata o texto.

Não adianta o tradutor encontrar uma tradução adequada para um determinado termo se ele não entende o significado do termo.

Um erro comum é usar traduções de dicionários bilíngües ou glossários de terceiros sem procurar o sentido do termo em questão, nem compreender de que forma ele é usado por profissionais da área. Estar familiarizado não significa saber tudo sobre a área em questão.

O tradutor familiarizado saberá, por exemplo, onde encontrar as melhores soluções para suas dúvidas de terminologia e dominará as técnicas de tradução específicas para os textos da área.

A leitura cuidadosa, do início ao fim, do texto original é essencial para a compreensão do texto. Mesmo assim, há tradutores que não lêem o texto antes da tradução e traduzem à medida em que lêem.

Na verdade, a leitura prévia deve acontecer bem antes da tradução, ainda na fase de elaboração do orçamento – só assim o tradutor poderá determinar com maior precisão o tempo necessário para traduzir e os problemas potenciais do original e da futura tradução e, com essas informações, oferecer ao cliente um preço adequado pelo serviço.

Ainda antes da tradução, é essencial também fazer o glossário dos termos novos encontrados no texto a traduzir e, é claro, pesquisar esses termos nos dois idiomas – na língua de partida e na língua de chegada.

Não raro, parte dos termos técnicos somente ganhará uma tradução boa no decorrer da tradução, pois dependem da tradução de outros termos ou de uma certa dose de inspiração que só ocorre quando o tradutor está profundamente mergulhado no estilo e vocabulário do texto.

Um dos grandes problemas de manuais técnicos em geral é quando o autor do original não escreve bem.

Alguns tradutores não se dão conta disso, acham que o original faz perfeito sentido e produzem traduções igualmente sem sentido.

Dia do tradutor

É comum o autor de um manual em inglês não ser nativo do inglês (pode ser um alemão, um sueco ou um mexicano, por exemplo), e é bem possível que o autor use o chamado “inglês internacional”, uma versão híbrida do idioma inglês, ocasionalmente com sintaxe e ortografia estranhas em relação às normas cultas nacionais do inglês (americano, britânico, canadense etc.).

É importante o tradutor saber reconhecer esse tipo de problema.

Em caso de dúvidas na compreensão do estilo ou de termos técnicos, é bom procurar o cliente. Ao contrário do que muita gente pensa, um tradutor com dúvidas não é necessariamente um tradutor incompetente, mas sim um profissional preocupado em agregar valor ao seu próprio serviço e em atender ao cliente da melhor maneira possível.

Se o cliente for um cliente direto, possivelmente o contato será rápido e enriquecedor para o tradutor e deixará o cliente mais confiante na competência do tradutor.

Se o cliente for uma agência de tradução, muitas vezes o contato é demorado e truncado, pois a agência pode não querer que o tradutor e o cliente final estejam em contato direto, ou o contato acaba tendo tantos intermediários a ponto de ser impraticável.

Na elaboração de glossários com os termos desconhecidos, é importante usar fontes seguras. E na maioria das vezes, os glossários bilíngües encontrados na internet não são fontes seguras.

Fontes seguras seriam, por exemplo, glossários, léxicos e dicionários “monolíngües” criados por empresas atuantes na área de que trata o original.

Nada de glossários bilíngües elaborados por alunos de determinados cursos de tradução ou por determinados sites de agências de tradução.

Comparando fontes monolíngües no idioma de partida e no idioma de chegada, o tradutor chega com mais certeza às traduções de determinados termos.

Mas embora devam ser usados com cautela, os dicionários bilíngües ainda são capazes de ajudar bastante o tradutor.

Em documentações técnicas de aparelhos, costuma haver partes que não precisam ser traduzidas.

Por exemplo, geralmente há menção a dizeres de telas do software de comando dos aparelhos: ON, OFF, PUSH, SHUT-DOWN, ALARM.

Aqui é importante observar se o software de comando também foi ou está sendo traduzido. Muitas vezes, o software não é traduzido, e por isso o tradutor deverá deixar no idioma original as instruções de tela que aparecem no texto.

Mas haverá também ocasiões em que essas instruções devem ser traduzidas. Novamente, o contato entre tradutor e cliente resolverá essa questão.

Por fim, uma nota sobre a questão do estilo.

O estilo técnico de escrever pode parecer estranho para os amantes da “boa literatura”, mas ele faz perfeito sentido para os leitores dos textos técnicos.

O texto técnico é por natureza “seco”, direto, voltado para informar e não para provocar deleites literários nos leitores. Por isso, é importante o tradutor não tentar embelezar a tradução, sob pena de torná-la enfadonha e imprópria.

Isso não impede, porém, que o tradutor use e abuse de soluções criativas para tornar o texto fluente – isto é: fluente para os leitores de textos técnicos, que são pessoas em busca de informações específicas e objetivas.

Acima de tudo, o texto técnico, assim como o literário, o jornalístico e o jurídico, precisa ser idiomático e respeitar as regras de gramática e estilo do idioma de chegada.
A Tradução de Linguagens de Especialidade e de Terminologia

A tradução de linguagens de especialidade e de terminologia é uma questão bastante importante no âmbito da prática da tradução em geral.

Uma das principais características de um texto técnico é a utilização de linguagem de especialidade, isto é, a linguagem utilizada numa dada área que engloba tanto a terminologia como as formas de expressão específicas da área em questão.

A linguagem de especialidade não se limita apenas à terminologia; ela inclui termos funcionais (que descrevem operações ou processos), e propriedades sintácticas e gramaticais; adere a convenções próprias, tais como evitar a voz passiva (na maior parte dos textos técnicos) e o uso de terminologia consistente.

Todo este conceito é também apelidado de tecnolecto.

O conceito de terminologia é já mais restrito do que o de linguagem de especialidade, pois consiste num conjunto organizado de termos técnicos próprios de um determinado campo – uma ciência, uma arte, uma disciplina (cf. Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa, 2001, Verbo).

Terminologia pode ainda ser definida da seguinte forma:

(…) a base ontológica da terminologia consiste na delimitação dos conceitos produtivos de um campo específico, sendo certo que cada termo só pode definir-se como tal quando corresponde a um único conceito, por ele transmitido com concisão e precisão.
CNALP (1989: 179)

Na verdade, algo que acontece frequentemente na tradução é o facto de conhecermos as palavras (ou julgarmos que as conhecemos) mas desconhecermos o conceito a que estão associadas no texto pois este poderá variar com o contexto.

Na tradução técnica é raro (embora não seja impossível), haver casos de polissemia, pois abrange, por norma, um tipo de linguagem mais específica e objectiva.

A tradução de termos técnicos é, frequentemente, independente do contexto em que estes surgem e, neste caso, estabelecer uma equivalência a nível terminológico não deverá oferecer nenhum tipo de dificuldade acrescentada.

No entanto, isto não significa que seja mais fácil para o tradutor técnico achar uma equivalência terminológica para o texto de partida.

Muito pelo contrário, esta equivalência, a nível terminológico, pressupõe uma normalização terminológica, isto é, tanto na língua de partida como na língua de chegada há uma necessidade para a criação de uma compilação de termos de uma determinada área.

A normalização de bases de dados terminológicas torna-se, porém, bastante difícil, pois a evolução linguística não consegue acompanhar o rápido avanço tecnológico e o português tem vindo, ao longo dos últimos tempos, a sofrer fortes, e até violentas, influências de estrangeirismos, especialmente de anglicismos.

Na verdade, há uma tendência generalizada para institucionalizar a terminologia técnica numa só língua de modo a facilitar a comunicação entre os profissionais de diversos países.

Mas, se por um lado isso realmente acontece, por outro, tal empobrece a nossa língua com a agravante de se correr o risco de marginalizar os leitores que não estão familiarizados com o texto ou com a temática em causa.

A tradução de empréstimos poderá despoletar alguma controvérsia, uma vez que pode retirar toda a naturalidade e fluência a um texto. No entanto, essa falta de naturalidade e de fluência surge da falta de familiaridade com o termo traduzido.

Um termo desconhecido pode parecer estranho e, assim sendo, é evitada a sua utilização. Tal acontece com termos tais como software, ou website. Só muito recentemente foi introduzido de forma regular no vocabulário português o termo sítio para designar website ou simplesmente site.

(Plannertraducoes)


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