BIOLOGIA - ANIMAIS - COELHO

O coelho é uma das espécies cinegéticas portuguesas de maior importância, devido à facilidade com que se reproduz e aos números elevados que as suas populações atingem. Mede entre 35 e 50cm, tem uma pelagem de cor acinzentada com laivos amarelo-acastanhados na nuca e nas patas, e a face anterior esbranquiçada. Quando em movimento, identifica-se facilmente pelo seu estilo de corrida em apertados ziguezagues.

Vive em zonas onde o mato é abundante, preferindo os terrenos secos e arenosos, mais fáceis para a construção de tocas. A alimentação é constituída essencialmente por plantas herbáceas, raízes, grãos e mesmo cascas suculentas de algumas árvores.

Mamífero da ordem dos lagomorfos e família dos leporídeos, o coelho Possui orelhas e pernas compridas, tem a cauda curta e não sobressai como corredor. São todos herbívoros, e diferem dos roedores por terem dois pares de dentes incisivos no maxilar e um par pequeno imediatamente atrás do par maior.

Seus membros anteriores terminam por cinco dedos, os posteriores por quatro e todos providos de unhas. O coelho assenta apenas os dedos no chão levantando o metacarpo e o metatarso; é, portanto, como a maioria dos roedores, um animal semi-plantígrado. O pêlo varia conforme a raça. Pode ser liso e curto, bem peludo com pêlos mais longos e até com o pêlo meio enrolado. A maior parte de suas espécies costuma abrir galerias subterrâneas, onde diversas gerações se sucedem nos mesmos ninhos.

É um animal de hábitos noturnos e crepusculares, embora possa ser visto durante o dia quando não há interferência humana. Vive em colônias, que, em caso de densidades elevadas, podem atingir os 20 indivíduos. O coelho reproduz-se quase todo ano, embora seja mais ativo entre março e maio. Com um período de gestação de apenas 28/33 dias, cada fêmea tem três a sete ninhadas por ano, produzindo cada ninhada entre duas a sete crias, cegas, surdas e sem pêlo, que, ao fim de 3,5 meses no caso das fêmeas e 4 meses no caso dos machos, já estão aptas a reproduzir. Tem uma longevidade máxima de nove anos.

Nome Científico: Oryctolagus cuniculus.

Nome popular: Coelho.

Distribuição geográfica: Ele vive em lugares com muito verde. Pode ser encontrado em todas as regiões do Brasil.

Habitat natural: Sua origem é no Norte da África (Marrocos, Tunísia) e Europa (Espanha).

Hábitos alimentares: É herbívoro. Come grandes quantidades de folhas, raízes, caules, grãos e cascas de algumas árvores.

Tamanho: De 18 a30 centímetros.

Peso: 3 a 4kg.

Período de gestação: 30 a 40 dias.

Filhotes: Pode ter de 3 a 6 ninhadas por ano. Cada vez que engravida, nascem de 4 a 12 filhotes. Assim, a coelha pode chegar a ter 70 filhotes em um ano.

Tempo médio de vida: 5 a 10 anos.

O coelho europeu (Oryctolagus cuniculus)

Originário do sudeste da Europa, o coelho europeu espalhou-se por todo o continente e, nos últimos séculos, por todo o mundo. Como não dispunha de defesa contra seus predadores (lobos, raposas, aves de rapina e o próprio homem), confiou sempre em sua audição privilegiada e no olfato, assim como nos hábitos noturnos e nos abrigos subterrâneos. Segundo muitos estudiosos, seu ouvido distingue sons inaudíveis para o homem.

Coelhos

Extremamente prolífica, a fêmea do coelho europeu pode parir desde a idade de seis meses. O período de gestação dura pouco menos de seis semanas e em cada uma das quatro ou seis ninhadas anuais nascem de quatro a oito filhotes, cegos e sem pelagem. Doze horas depois de nascidos os filhos, a fêmea já se acha pronta para novo acasalamento, mas em 60% das gestações os embriões são reabsorvidos pela mãe, especialmente quando há excessiva aglomeração ou quando são precárias as condições de alimentação ou do ambiente em geral.

Sua carne é saborosa, e a pele, apreciada, mas muitos consideram difícil saber se esses aspectos compensam os prejuízos freqüentemente causados pela espécie à agricultura.

Dentro da denominação de coelho europeu, temos o coelho selvagem e o coelho doméstico, este último descende do primeiro.

Coelho selvagem: Cava tocas tanto em terrenos arenosos quanto nos cobertos por vegetação, e até mesmo em árvores. Chega a pesar até 1,5kg e ter quatro ninhadas por ano, podendo ser cada uma de quatro a dez filhotes. Chega a viver em média oito anos. É herbívoro por natureza, alimentando-se de raízes, capins, brotos de folhas e de árvores.

Coelho doméstico: Pode atingir até 10kg de peso, tem seis ou sete ninhadas por ano, com 10 a 15 filhotes cada uma. Vive em média 13 anos. Tem larga utilização, não só pela ótima carne que fornece como também devido ao pêlo, usado na fabricação de chapéus de feltro.

Coelho das Américas (Sylvilagus cuniculus)

Este gênero abrange o tapiti ou coelho-do-mato brasileiro e várias espécies da América do Norte, onde recebem os nomes de cotton tail rabbits (coelhos de cauda de algodão) e marsh rabbits (coelhos dos mangues). São estes certamente os integrantes mais comuns da família dos leporídeos na América do Norte, menores do que as lebres verdadeiras e com membros posteriores, cauda e orelhas mais curtas. Também diferem daquelas nos hábitos, preferindo esquivar-se até o esconderijo mais próximo a confiar na corrida. Pela aparência e pelo comportamento, assemelham-se bastante ao coelho europeu, embora não cavem galerias.

O tapiti é o Sylvilagus minensis ou Sylvilagus brasiliens, também conhecido por candimba ou, impropriamente, por lebre. Atinge cerca de 35cm de comprimento e tem a pele amarelo parda, levemente chamalotada com pêlos negros. Vive nos campos sujos, nas roças abandonadas e às margens das matas, onde, porém, não costuma entrar. Passa o dia em touceiras, de onde sai à noite à procura de vegetais tenros. Não escava galerias. Pode invadir plantações sem causar danos apreciáveis, uma vez que não é muito prolífico. Por sua escassez, e por não possuir carne saborosa, nunca foi tido como caça de boa qualidade. Animal raro, em parte devido ao combate que lhes movem os inimigos naturais, gaviões, carnívoros, cobras, sua presença em determinado local é facilmente reconhecível pelas fezes que expele, de aspecto muito característico.

Diferenças entre coelhos e lebres

Por “lebre” são conhecidas as espécies dos gêneros Lepus e Sylvilagus, este último exclusivamente americano. As principais diferenças entre lebre e coelho são as seguintes: no modo de cuidado da prole, os coelhos recebem máxima atenção dos pais, já as lebres nascem desprovidas de qualquer atenção parental. Os filhotes de lebres nascem cobertos de pêlos e com olhos abertos, as patas posteriores muito desenvolvidas; os filhotes de coelhos nascem nus, de olhos fechados, as patas traseiras menores.

Os ninhos das primeiras são feitos na superfície do solo, e os dos segundos em tocas na terra. As orelhas e pernas dos coelhos, assim como todo o seu corpo, são sempre menores do que os das lebres. Outra diferença está na muda da pelagem, a qual em coelhos não ocorre e em lebres suas pelagens se tornam branca no inverno, após sofrerem a troca.

Histórico

Os primeiros dados referentes à criação do coelho e sua exploração datam dos tempos mais remotos, entretanto a sua origem é muito discutida.

Alguns afirmam ser o coelho originário do sul da Europa, e que só muito depois foi introduzido nos outros países. Entretanto, muitos afirmam ser o coelho proveniente do sul da África, de onde passou para a Europa, daí se propagou logo com rapidez por todo o Continente.

Nada sabemos ao certo quando foi domesticado este roedor, entretanto parece que os romanos foram os primeiros a criar os coelhos, em liberdade, em grandes parques. Mais tarde, as primeiras tentativas da domesticação do coelho foram iniciadas nos conventos, onde os monges da Idade Média foram os primeiros propagadores da cunicultura em alojamentos e gaiolas, por toda Europa, principalmente na Bélgica, França, Inglaterra de onde essa criação do coelho se espalhou pelo mundo todo.

Somente muitos anos depois é que a criação do coelho foi introduzida nos Estados Unidos e Canadá, países estes em que a cunicultura alcançou o seu maior desenvolvimento. Nos Estados Unidos, o centro da criação de coelhos está situado na Califórnia, onde são encontradas as maiores granjas, cujos animais são enviados para todo país, não só como reprodutores para início de criação, como também abatidos, cuja carne é destinada aos hospitais, hotéis e casas de carne. Durante a última guerra mundial, muitos países que tinham dificuldades em adquirir carne para o mercado interno, incentivaram o povo a dedicar-se à criação de coelho. Nos Estados Unidos, por exemplo, a criação doméstica do coelho passou a ter um caráter industrial, pois devido ao consumo cada vez maior da carne que não estava sujeita aos cartões de racionamento, as criações foram aos poucos aumentando a produção para melhor atenderem ao mercado consumidor.

Coelhos...

Episódio clássico de perturbação ecológica foi a introdução do coelho europeu na Austrália. Levado para aquele país no século XIX, esse mamífero ali se multiplicou em níveis insuspeitáveis ao se ver livre dos predadores naturais e logo se converteu em praga para a lavoura. Todos os esforços para controlar a situação foram inúteis, até que se inoculou nos animais a mixomatose infecciosa, doença endêmica entre os coelhos brasileiros, mas que para o europeu foi fatal em 99% dos casos.

Reprodução

O ideal é que o macho só comece a reproduzir a partir dos cinco meses de idade e a fêmea a partir dos quatro. Os coelhos reproduzem o ano todo, mas a fase mais fértil ocorre na primavera. Eles devem acasalar quase instantaneamente. Por garantia, deixe-os juntos por dois dias e, depois, separe-os. Ela dará a cria em cerca de 30 dias. Após o nascimento, verifique o ninho diariamente para checar se todos os filhotes estão vivos e juntinhos uns ao outro, para que se esquentem. Caso não estejam, o melhor é reuni-los. Quando estiverem com 30 dias de idade, retire o ninho. Aos 40 dias de vida, já estarão desmamados e podem ser separados da mãe. Ela também já estará pronta para uma nova gestação.

Alojamento

Deve-se recorrer a uma gaiola específica para coelhos mantendo-a em local fresco mas protegido de correntes de ar e longe do solo para que a urina possa escoar. Quinzenalmente lave e desinfete toda a instalação e utensílios. Durante o primeiro mês em casa solte-o regularmente por breves instantes para que se ambiente ao novo lar.

Alimentação

A alimentação deve ser própria para coelhos devendo manter sempre comida no comedouro. Como complemento dê-lhe fibras vitaminas e sais minerais através de folhas de beterraba e rabanete, assim como ramos de couve-flor. É claro que adoram cenoura, no entanto, uma vez que engorda, deve dar-se em dias alternados.

Higiene

É muito asseado cuidando de forma eficaz da sua própria higiene. Pode também optar por dar-lhe banho desde que o resguarde de correntes de ar e o seque sempre muito bem.

Curiosidades

O período de gestação de um coelho varia de 28 a 34 dias.

Os pêlos começam a crescer a partir do sétimo dia.

Os olhos abrem após o décimo dia.

Os ouvidos abrem no décimo segundo dia.

As crias saem do ninho e começam a comer alimento sólido com 18 dias de vida.

Aos dois meses de vida estão independentes.

Estão sexualmente maduros aos cinco meses de vida.

Os coelhos não são roedores. Eles são lagomorfos (caracterizados por terem dentes incisivos de crescimento contínuo, em número de quatro no maxilar superior e apenas dois no maxilar inferior; caninos ausentes), e estão mais próximos dos cavalos do que dos ratos.

Há apenas uma raça de coelhos domésticos que mudam de cor. São os Champagne D'Argent. Nascem pretos e quando crescem ficam cinzentos.

Em relação a todos os animais domésticos, é o coelho que se destaca pela precocidade da maturidade sexual;

Existem mais de 50 raças de coelhos em todo o mundo. O mais conhecido é o chamado "coelho comum". O coelho selvagem tem hábitos noturnos, mas os coelhos de estimação se adaptaram bem à vida durante o dia.

O coelho doméstico, mesmo nascido e criado em alojamentos individuais, adquire facilmente todos os costumes do coelho selvagem quando se encontra a algum tempo no ambiente próprio ao coelho selvagem.

A carne de coelho está tendo crescente demanda no mundo inteiro, em decorrência das suas características de elevado teor de proteína e baixo colesterol, por ser de fácil digestão e ser uma carne branca muito saborosa.

A pele, depois de curtida, é utilizada na confecção de objetos dos mais variados. O pêlo produz uma lã extremamente macia e leve. Até os dejetos (fezes e urina), depois de curtidos adequadamente em estrumeiras especiais, constituem um ótimo adubo, rico em fosfatos e nitratos.

No Brasil, a criação de coelho bem orientada, organizada e com fins comerciais começou a aparecer a partir de 1957 no Estado de São Paulo, após a 1ª Exposição de coelhos realizada na cidade de Leme, patrocinada pelo Departamento de Produção Animal da Secretaria da Agricultura.


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