PSICOLOGIA - CIÚME

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Quem nunca experimentou o ciume ao longo da vida? É uma emoção bem comum, conferindo até um certo sabor ao relacionamento afetivo. Alguns afirmam inclusive que ele mantém a chama da paixão acesa. E também, como o medo, é uma espécie de antena que nos alerta quanto à presença ou ausência do amor na relação, portanto indica a proximidade ou não de um certo perigo para a interação entre os parceiros.

Mas, ao ultrapassar determinadas fronteiras, ele se torna nocivo e patológico, causando profundos danos ao relacionamento. Ciúme, em francês, se traduz por ‘jalousie’, expressão da qual se originou a palavra ‘gelosia’, que há tempos atrás denotava o termo ‘janela’. Conta-se que alguns maridos, com ciúmes de suas esposas, importaram para suas residências persianas ou venezianas, para que elas ficassem ocultas dos olhares alheios e ao mesmo tempo pudessem acompanhar os acontecimentos externos – esta é a opinião do Professor Doutor em Literatura Dionísio da Silva.

Este sentimento envolve geralmente três pessoas – o ciumento, o objeto do ciúme e o agente que o provocou. Neste complexo triângulo amoroso, as sensações de perda e de ameaça levam à eclosão desta emoção que pode se tornar altamente explosiva. De certa forma, pode-se dizer que ele está presente nos instintos humanos, mas em excesso demonstra que a pessoa não está conseguindo controlar bem seus impulsos. Ele também envolve uma outra questão, a da confiança, que nos remete a outro ponto importante, o da segurança.

Quando o indivíduo não consegue desenvolver o suficiente sua auto-estima, sente-se inferior ao outro e, portanto, está constantemente inseguro. Ele mesmo se compara às outras pessoas, e inconscientemente sente-se derrotado nesta comparação. Assim, está sempre em estado de alerta nesta persistente competição que ele mesmo engendrou. É natural então que ele comece a ver fantasmas onde eles não existem, e acabe transformando seu medo de perder o ser amado em uma terrível obsessão.

Desta forma, acaba afastando o outro, o que o deixa ainda mais inseguro, ciumento e obsessivo, criando uma espécie de círculo vicioso neste relacionamento fadado ao fracasso. Desesperado, o parceiro passa a controlar e limitar mais a vida da outra pessoa, restringindo sua liberdade, bombardeando-a com acusações muitas vezes sem nenhum fundamento, sufocando a tal ponto o ser amado que a relação amorosa acaba desmoronando de vez. Este ciúme patológico gera no seu portador uma intensa carga de ressentimento, mágoa e, algumas vezes, um desejo doentio de vingança, o que, infelizmente, pode provocar os famosos crimes passionais.

É o que se vê retratado na famosa tragédia de Shakespeare, “Otelo- O Mouro de Veneza”. Nesta obra, enlouquecido de ciúme de sua amada Desdêmona, a qual ele acredita traí-lo com seu melhor amigo, Otelo, sem conseguir submeter seus impulsos à razão, o que o impede de perceber a inocência da esposa, cede aos seus instintos e a mata. No dia-a-dia vemos esta mesma história se repetir sem cessar. Este sentimento é deveras democrático, pois qualquer pessoa, independente de raça, sexo, etnia ou classe social, está sujeito a ele.

O ciúme somente deixará de existir quando o homem aprender realmente a amar, o que implica aprender que ninguém é dono de ninguém, pois o outro é livre, e assim somente os laços do amor podem mantê-lo ao nosso lado.

Fontes:
www.geocities.com
www.dominiofeminino.com.br


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