17/06/11

DIA MUNDIAL EX-COMBATENTES - 18 DE JULHO - VETERANOS DE GUERRA - Canção do Expedicionário

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Canhões, militares, treinamentos pesados, toque de recolher, patrulha, medo, privação. Ao contrário do que nos ocorre quando tentamos pensar em nossas lembranças da praia, as que abordaremos aqui nem sempre são doces e divertidas como o título pode sugerir. As memórias dos ex-combatentes incumbidos de proteger o litoral brasileiro no caso de um possível ataque nazista geralmente se enfocam no cotidiano inebriado de responsabilidade, tensão e medo.

FEB - Ex-combatentes-Veteranos de guerra

Há uma grande dificuldade em encontrarmos relatos ou autobiografias escritos e publicados por estes ex-combatentes, o que dificulta nossa compreensão sobre as funções desempenhadas e as experiências vividas por este grupo. Tal escassez nos permite inferir um possível indício de desvalorização dessas memórias por parte do próprio Exército, uma vez que, na Biblioteca do Exército, principal publicadora dos livros sobre a experiência brasileira na Segunda Guerra Mundial, não constam obras escritas por este segmento dos ex-combatentes. Além disso, podemos entender essa lacuna como a existência de um sentimento de ilegitimidade desse grupo que os embaraçou a ponto de impedir-lhes de compartilhar com o leitor a sua representação da guerra através da escrita de suas memórias. Refletimos sobre isso, principalmente, pelo fato de existirem entre os veteranos muitas publicações custeadas por eles mesmos, tamanha vontade de memória que possuem. No entanto, entre os praieiros temos dois exemplos pernambucanos que, devido às suas singularidades, merecem nossa análise mais detida: Sr Odemir e Sr Nascimento.

O primeiro deles, mesmo não possuindo o diploma “Medalha de Campanha”, atributo único pra pertencer a ANVFEB, se associou a esta e foi além: exerceu o cargo da vice-presidência na regional de Pernambuco. Apesar de ser uma associação apenas de veteranos da FEB, o ex-combatente Odemir está sempre presente nas reuniões mensais e nos entretenimentos semanais. Porém, desde nosso primeiro contato, quando havíamos ido pedir autorização dos pracinhas para freqüentar todas as suas reuniões para conhecer o cotidiano daquela associação e seus membros, ele logo pediu a palavra para formalizar sua posição. Seguiu-se então um longo esclarecimento por parte dele sobre sua condição de ser “apenas um ex-combatente”, que contribuíra para o patrulhamento do litoral mas que não tinha tido o prazer de representar seu país em solo italiano. Sua explicação era observada e interrompida pelos seus companheiros que faziam as mais diversas brincadeiras sobre ele ter ficado na praia tomando água de coco.

O segundo deles, Sr. Nascimento, é o exemplo maior de um ex-combatente que valoriza e faz questão de ver valorizada a sua posição, sua historia e suas experiências. Incomumente, tivemos acesso a um relato de memória escrito pelo soldado Manoel do Nascimento Silvano encontrado na biblioteca do 7º- Grupo de Artilharia de Campanha por ter sido enviado pelo próprio autor ao atual comandante. Construído de forma rudimentar o relato apresenta erros de português graves e frases muitas vezes incoerentes, mas que demonstram um forte desejo desse senhor em continuar vinculado à instituição e a memória militar, além de ostentar orgulhosamente uma identidade castrense.

Assim, se por um lado temos os ex-combatentes exaltando sua importância devido à vivência de um tenso cotidiano no litoral durante a guerra, por outro lado temos os veteranos descrevendo os aspectos diversos de sua experiência de guerra, as tristezas, alegrias e responsabilidades ultra mar. É importante ressaltar que mesmo dentro de cada segmento, seja dos ex-combatentes, seja dos veteranos, o que existe é uma homogeneidade relativa, pois se constituem de pessoas com experiências próximas, mas que foram sentidas e vivenciadas de forma única.


Perceber as estratégias de construção e manutenção de uma memória sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial implica estar em contato freqüente com a heterogeneidade de fontes, de percepções e métodos de pesquisa. Significa tanto trabalhar com grande variedade de fontes históricas já existentes, como lançar mão de novos métodos de construção das mesmas.

A definição ou entendimento do que deve ser considerado fonte de pesquisa varia de acordo com nossas crenças teórico-metodológicas, uma vez que historiadores com posturas teóricas diferentes certamente tecerão divergentes comentários sobre a legitimidade ou não, por exemplo, de um relato oral como fonte histórica. Assim, acreditamos que o historiador acolhe como fontes aquilo que ele entende que contribuirá para a construção do conhecimento histórico do assunto o qual ele se propõe a investigar, ainda que este acolhimento seja relativo, tanto às suas convicções teóricas, quanto ao seu objetivo de pesquisa.

Deste modo, quando escolhemos trabalhar um objeto, nos dispomos a observálo pelos mais diversos ângulos possíveis, sem, no entanto, pretender abarcar qualquer tipo de totalidade de um dado acontecimento, abordando assim, as mais diversas representações existentes sobre ele, de acordo com as pertinências próprias ao oficio do historiador.

Acreditamos que a variedade das fontes se faz essencial para nossa pesquisa, posto que ela demonstra a complexidade do nosso objeto de estudo e nos convida ao desafio de novas abordagens, como observação de vídeos, aplicação de questionários, coleta e análise de entrevistas. Assim, tudo aquilo que nos oferece informações sobre este período, independente da ótica, da origem do documento ou das informações, sejam elas visuais, auditivas ou escritas, vem sendo percebido como fontes de pesquisa.

Quem são os veteranos de guerra?

É aquele que passou seis meses na Arábia Saudita carregando galões de combustível nas costas, para garantir que seus companheiros dos tanques não ficassem sem combustível.

É a enfermeira - ou enfermeiro - que lutou contra a futilidade da vida e decidiu ser abnegado, refutando suas horas de sono em prol dos feridos.

É aquele que foi embora sendo uma pessoa e voltou outra, totalmente diferente - ou às vezes nem conseguiu voltar.

É o instrutor tático que nunca viu uma batalha sequer, mas salvou muitas vidas ensinando os soldados a cuidarem de si mesmos e de seus companheiros.

É aquele senhor idoso que está agora segurando uma sacola de supermercado, lento e pensativo, que ajudou a libertar inúmeras pessoas de campos de concentração nazistas, enquanto rezava o dia inteiro para poder voltar e abraçar sua família...e receber um afago da esposa quando viessem os pesadelos.

É aquele herói anônimo, que morreu nos campos de batalha ou nas profundezas do oceano, e não pôde ter seu valor reconhecido.


É uma pessoa comum, mas ainda assim um ser humano extraordinário, uma pessoa que ofereceu os mais importantes anos de sua vida a serviço de seu país, que sacrificou suas ambições para que outros não tivessem que sacrificar as deles.

A cada vez que víssemos algum veterano de guerra devíamos simplesmente lembrar de agradecê-los. É o melhor reconhecimento que a maior parte das pessoas precisa e, na maioria dos casos, significa mais do que quaisquer medalhas que eles possam ter ganho.

(abed-defesa.org/
Korean War Veterans Association)

Canção do Expedicionário

Você sabe de onde eu venho ?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.

Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.

Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,
Braços mornos de Moema,
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim.
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!

Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.

Você sabe de onde eu venho ?
E de uma Pátria que eu tenho
No bôjo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreno,
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacaranda,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.

Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.

Venho do além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde o nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,
Fazendo o sinal da Cruz !

Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.


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